Dobrodošli u Srbiju! Bem-vindo à Sérvia!

Zdravo, svima!

Espero que esteja tudo sob controle por aí com vocês!

Esse texto que está apenas no seu começo me causa um leve frio na barriga e por isso tantas vezes eu posterguei até mesmo o pensamento em como deveria escrevê-lo. Isso porque ele tratará sobre um dos países que mais me surpreendeu positivamente em todos esses anos de viagens e mochilões, a Sérvia.

O motivo desse frio na barriga? Pelo número de coisas a se fazer e a se visitar no país, pela quantidade de experiências que vivi por lá, pelo fato de sua História ser muito complexa e pelo quanto a minha opinião sobre a Sérvia mudou, de quando comecei a me interessar pela região dos Bálcãs (especialmente pela Croácia, em 1997), até hoje.

Vou começar então, pela parte mais fácil; o início.

Decidi conhecer a Sérvia durante um mochilão no outono de 2011, durante o qual visitei também a Croácia pela segunda vez e a Bósnia, Montenegro, a Romênia e a Bulgária pela primeira vez.

Quando lá estive, ainda era necessário obter um visto através da embaixada sérvia em Brasília. Agora, não há mais necessidade de visto para brasileiros, os quais podem ficar no país por até 90 dias.

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Foi às 22h de uma noite bem fria quando peguei o trem que sairia de Podgorica rumo à capital sérvia, Belgrado. O trem estava muito cheio, assim como a cabine-leito para seis pessoas onde dormiria. A noite no trem foi relativamente tranquila e só acordei definitivamente quando estávamos para chegar em Belgrado, quando recebi um “доброе утро!” de um dos três marinheiros russos que dividiam a cabine comigo e com mais um casal.

Ao sair da cabine presenciei quase todos os passageiros fumando no corredor, inclusive uma senhora de idade BEM avançada. A névoa da manhã se confundia com a névoa do vagão. Não demorou muito para que o trem parasse e para que todos nós descêssemos.

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Havia estudado bem o mapa para não me perder no caminho até o albergue. Todavia, minha maior preocupação era a de ser hostilizado de alguma forma por ter na minha mala o brasão da Croácia; vocês devem saber que sérvios e croatas estiveram em lados opostos em muitas ocasiões, inclusive recentemente, depois da dissolução da Iugoslávia, a qual levou os dois países à guerra.

A propósito, sobre guerras, há um museu incrível em Belgrado, o Museu Militar, na fortaleza da cidade.

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Um dos pontos de referência nessa subida da estação até o albergue era um dos locais que mais queria ver na capital, os prédios destruídos do Ministério da Defesa da Iugoslávia.

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Eles foram bombardeados durante a agressão da OTAN à Iugoslávia (que compreendia Montenegro, Sérvia, Kosovo e Vojvodina à época) em 1999. Foram quase quatro meses de bombardeios que destruíram torres de rádio e TV, pontes, prédios e boa parte da infraestrutura de toda a Iugoslávia. Não se sabe ao certo quantas foram as vítimas civis; as estimativas vão de 500 a quase 6 mil.

O que motivou os bombardeios teriam sido as disputas étnicas entre sérvios e albaneses no Kosovo, mas não vou me aprofundar nesse tema até porque tenho minha opinião depois de tanto ler sobre o assunto, visitar o país e ouvir relatos de todos daquela região, mas a minha opinião é uma dentre as milhares possíveis, dependendo de quem se ouve e do que se lê.

Depois do check-in no albergue, um dos mais legais onde já estive, o Habitat, fui visitar um outro ponto importantíssimo para a História do país, a apenas alguns metros de onde estava hospedado, o Parlamento Nacional da Sérvia.

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Foi aqui, em 5 de outubro de 2000, onde uma das maiores manifestações contra Slobodan Milosevic, então presidente da Iugoslávia, aconteceu depois de suspeitas de fraude nas eleições nacionais. Essa manifestação foi a derradeira, a que conseguiu tirá-lo do poder. Um grupo estudantil foi fundamental para essa derrubada e há um pouco da história por trás dos eventos no vídeo abaixo. (Mais uma vez, alerto: há muitas formas de se enxergar a derrubada do Milosevic e esse é apenas mais um assunto espinhoso sobre a História recente do país).

De lá, já encantado com a beleza e a imponência da capital, deixei-me levar por suas ruas cheias de história e de prédios e monumentos incríveis, passando pela principal rua para pedestres da cidade, a Kneza Mihaila.

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Nessa rua, as mulheres sérvias desfilam com toda a elegância que lhes é peculiar. Sem brincadeira, tem-se a sensação de estar em uma passarela ao atravessá-la de ponta a ponta. Os homens sérvios, principalmente os jovens, tendem a se vestir de modo bem mais esportivo e informal, o que faz com que o contraste seja interessante! (Ui, virei blogueiro de moda! Hahahahahaha)

No final dessa rua chega-se a um dos mais agradáveis parques que já visitei, o Kalemegdan, circundado quase que totalmente pela fortaleza de Belgrado, da qual se tem a vista do encontro dos rios Sava e Danúbio.

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Foi lá onde vi o pôr-do-sol mais bonito que já presenciei.

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Conforme assistia a noite chegar, pensava comigo mesmo “Eu estou em Belgrado, não pode ser! Cazzo, eu estou em Belgrado! Belgrado!”. Não podia acreditar que estava na capital de um país tão mal compreendido e que havia passado por maus-bocados tão recentemente. Estava admirando o pôr-do-sol cercado por uma fortaleza que tinha sido bombardeada tantas vezes, por tantos inimigos diferentes e simplesmente não podia acreditar.

Além do mais, percebi que o “medo” que tinha de visitar a Sérvia tinha sido alimentado pela mídia ocidental e por interesses escusos de nações que teimam em enxergar o país e seu povo como eternos inimigos. No final da tarde, já me sentia acolhido por aquela vibrante capital, habitada por uma população culta e que batalha pelo próprio futuro e pelo futuro de seu país, ainda que continue sofrendo com tantas injustiças e preconceitos.

Uma ajuda para entender o povo sérvio pode ser encontrada aqui:

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O encanto, tanto pelo país quanto pelo povo fizeram com que eu voltasse mais duas vezes, no inverno de 2012 e na primavera de 2014. Em ambas as ocasiões voltei a Belgrado e sempre era surpreendido por suas maravilhas.

Mausoléu do Tito - Casa das Flores

Mausoléu do Tito – Casa das Flores

Uma das entradas da fortaleza

Uma das entradas da fortaleza

Igreja de São Sava

Igreja de São Sava

Além de Belgrado, visitei a cidade de Novi Sad – a maior na região da Vojvodina – em um day tour, partindo de Belgrado. É lá onde acontece o maior festival de música dos Bálcãs, o Exit.

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Também visitei Niš, uma cidade muito interessante no sul da Sérvia, onde conheci couchsurfers locais e visitei meu primeiro campo de concentração, a famosa torre dos ossos e um dos monumentos abandonados, construído durante o governo de Tito.

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Em suma, a Sérvia é um país encantador, com um povo fantástico e uma História complexa, mas interessantíssima.

A importância da religião cristã ortodoxa é grande para o povo sérvio, por isso você será surpreendido sempre que entrar em uma igreja no país. Todas são lindas e refletem o lado espiritual da população.

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Ainda que a língua possa parecer um problema, pois é de origem eslava e a escrita muitas vezes é no alfabeto cirílico, a maioria das pessoas com as quais um viajante terá contato, fala inglês. Portanto, não se assuste com a placa abaixo! (Embora seja uma boa ideia aprender algumas letras do alfabeto cirílico).

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Como chegar nessa maravilha de país? Já cheguei na Sérvia de trem, partindo de Montenegro e da Hungria, e de ônibus, partindo da Macedônia. Já deixei a Sérvia de trem, partindo para a Romênia e de ônibus, rumo à Croácia e à Bósnia, portanto as conexões terrestres com os vizinhos são boas. Internamente, só andei de ônibus.

O que beber para se comemorar o fato de se estar na Sérvia? Além de recomendar a incrível cerveja Jelen, jamais, em hipótese alguma, deixe de experimentar a bebida típica do país, a rakija!

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Esse post é apenas o primeiro de muitos sobre esse incrível país e espero sinceramente que tenham gostado, que façam perguntas, que deem suas opiniões e que eu possa ajudá-los quando forem planejar uma visita à minha querida Sérvia.

Eu vos deixo com uma das minhas músicas sérvias preferidas:

Hvala!

Até a próxima!

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9 pensamentos sobre “Dobrodošli u Srbiju! Bem-vindo à Sérvia!

  1. Nathan, sobre Milosevic, não sei se acompanhou as notícias em meados do ano passado. Foi muito discretamente publicado em nossa imprensa torpe.
    Bem, o tribunal de Haia, que o assassinou há 10 anos em sua cela a mando desconfia-se-de-quem, finalmente o inocentou de todas as vergonhosamente forjadas acusações feitas pela corja da OTAN e pela família de criminosos de guerra, os Clinton.
    Esses, entretanto, continuam soltos…e provavelmente ainda receberão, como o assassino e terrorista Obama, algum Nobel da Paz no futuro.

    PS – Sinta-se à vontade para não publicar se considerá-lo adequado apenas para “consumo interno”.
    Um abraço.

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