Sérvia – Niš. Seria eu um viajante sádico?

Kako ste vi, meus caros viajantes?

Estou de volta para continuar a falar sobre a minha mais do que amada Sérvia, sobre a qual comecei a escrever no post anterior.

Ainda não criei coragem para escrever sobre Belgrado, pois não faço ideia de por onde começar e, portanto, vamos para uma cidade ao sul desse incrível país chamada Niš (lê-se “Nish”).

Niš se encontra em um entroncamento de importantes rodovias europeias, as quais ligam Istambul, Sofia, Athenas e Skopje às partes Central e Ocidental do continente.

Eu cheguei na cidade, de ônibus, no inverno de 2012, partindo de Skopje, capital da Macedônia. A ligação com os países vizinhos é boa tanto de trem quanto de ônibus (mais frequentes) e por isso a cidade acaba se tornando um hub para viajantes que visitam a parte central dos Bálcãs e depois rumam para a Turquia ou a Grécia.

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A terceira maior cidade da Sérvia, depois de Belgrado e Novi Sad, tem pouco menos de 200 mil habitantes e uma história muito rica. É uma das cidades mais antigas dos Bálcãs e foi lá onde nasceu o fundador de Constantinopla, Constantino Magno (ou São Constantino, para os Ortodoxos) e onde foi construído o primeiro campo de concentração nazista na região.

Abaixo, o monumento comemorativo aos 1700 anos do Edito de Milão, emitido por Constantino Magno. O documento tornava o Império Romano laico e punha fim às perseguições religiosas.

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A cidade passou pelas mãos de muitos conquistadores e a fortaleza da cidade é um exemplo desse passado, pois foi construída pelos romanos para ser um acampamento militar e depois transformada em fortaleza, pelos turcos, no século XVIII. Em tempos mais pacíficos, é lá onde se encontram alguns bares e restaurantes e onde ocorrem alguns festivais em períodos menos frios do ano.

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A cidade é conhecida também por um monumento macabro, a “Torre dos Crânios”. Ela é o resultado de uma batalha entre sérvios e turcos, ocorrida em 1809. A vitória dos turcos era praticamente certa e então o Duque de Resava lançou uma operação “kamikaze” contra os invasores.

O Duque morreu, assim como 4 mil de seus homens e, embora tenham sido derrotados, eles conseguiram matar cerca de 10 mil combatentes turcos. A torre então foi construída e exposta à beira da estrada, pelos turcos, usando o crânio de 952 sérvios mortos, para que todos temessem o novo conquistador.

A torre hoje conta com 58 crânios e tornou-se um símbolo da resistência dos sérvios aos invasores. Ela se encontra afastada do centro da cidade e para chegar lá, caminhando, passei por algumas construções mais recentes, típicas do período comunista.

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Agora que dei um tempo no texto, pensando sobre como começar a escrever sobre o próximo lugar interessante a ser visitado na cidade, ocorreu-me uma coisa: seria eu um viajante sádico?

Mas okay, deixarei esse pensamento para depois. Ele pode até virar um post!

Lá no começo do texto falei que em Niš se encontra o primeiro campo de concentração nazista na ex-Iugoslávia. Ele é o mais bem preservado, no sentido de não ter sido destruído ou alterado. Basicamente, nada mudou desde 1944.

Construído em 1941, ele recebeu cerca de 35 mil prisioneiros, sendo que aproximadamente 10 mil foram mortos. Quando o visitei, pareceu-me que a entrada era proibida. Todavia, como encontrei seus portões abertos, entrei. Só saí depois que os constantes gritos em sérvio de dois homens que estavam lá dentro me fizeram desistir de permanecer no local por mais tempo.

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Sobre os mortos, eles foram executados em uma colina um pouco longe do centro, onde hoje há um memorial às vítimas. O Parque Memorial de Bubanj foi inaugurado em 1963 e, em 2004, foi adicionada ao memorial uma capela de vidro.

As três construções principais representam os punhos cerrados de um homem, de uma mulher e de uma criança. Chegar lá me lembrou um pouco o filme “A Bruxa de Blair”. Se fosse roubado, estuprado, morto, estuprado de novo e enterrado no local, acredito que meu corpo ainda estaria desaparecido.

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Mas não se preocupem! Niš, apesar desse passado pesado, é uma cidade muito pacífica e com um povo muito simpático e nada de mau acontecerá, se seguidas as regras mais básicas de segurança. Foi lá onde encontrei duas das pessoas mais legais que já conheci em viagens até hoje!

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Desde que a cidade foi libertada dos nazistas pelos combatentes partizans (sendo que dois deles estão enterrados no meio de uma das principais avenidas da cidade), nada de muito pior ocorreu lá, a não ser o covarde bombardeio da OTAN, em 1999, sobre o qual escrevi no post anterior.

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Terminando em um tom mais positivo, olhem que simpática a estátua na praça central da cidade!

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E antes que me esqueça: Niš tem um restaurante fantástico, o Stara Srbija e um albergue cuja localização é perfeita, o Hostel Niš.

Eu os deixo com uma das minhas músicas preferidas da Sérvia, do grupo S.A.R.S.

Vidimo se!!!

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11 pensamentos sobre “Sérvia – Niš. Seria eu um viajante sádico?

  1. Saudações Nathan!
    Vou pra Sérvia, Bulgária e Romênia (10 dias em cada um) em junho.
    Na Sérvia farei o trajeto Nis (e cercanias) – Nova Varos – Zlatibor – Belgrado.
    Alguma sugestão se tiver um tempinho sobrando?
    Obrigado.

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    • Salve, Sérgio!

      Muito obrigado pela visita e pelo comentário!

      Gostei do teu roteiro! Acho que 10 dias nesse trajeto dentro da Sérvia seja suficiente, mas não sei se sobrará tempo livre (depende do teu pique também), mas dá para dar uma esticada no estilo day trip de Belgrado para Novi Sad. Caso contrário, fique em Belgrado mesmo e aproveite as tantas opções fantásticas que a cidade oferece!!

      Boa viagem e até a próxima!

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    • Salve, ragazzo! Muito obrigado pelo comentário! Eu não conheço nenhuma linha de ônibu ou trem que ligue Sarajevo a Nis diretamente. De qualquer forma, o ideal seria evitar o território do Kosovo como entrada para a Sérvia. Se eu tivesse que fazer essa viagem, a faria via Belgrado. Espero ter ajudado e até obrigado pela visita!

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  2. Muito bom, Nathan. As suas informações sobre esses lugares que não fazem parte do circuito turístico comum são muito interessantes e importantes para ampliar o conhecimento. Se não fosse por você, eu nunca iria saber da existência daquela terrível torre de crânios. Como os seres humanos são cruéis!

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    • Mais uma vez, muito obrigado pela visita e pela mensagem, Val! Fico muito feliz com comentários como esse. Gosto muito de trazer coisas diferentes para o conhecimento do pessoal, contados sempre em primeira pessoa! Bacio!

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