O primeiro mochilão a gente nunca esquece (parte I)

Salve, meus caros viajantes!

Eu sei que estou meio ausente esse ano, mas é por um motivo , ou melhor, por vários motivos ótimos. Às vezes parece que as engrenagens de nossas vidas finalmente se encaixam e tudo flui sem que possamos perceber o decorrer do tempo.

Todavia, era hora de voltar ao blog e escrever sobre o que gostaria de ter publicado no já longínquo 1° de julho do presente ano.

A data da publicação seria essa, pois ela marcou o aniversário de 10 anos do meu primeiro mochilão.

Eu tinha 19 anos à época e o sonho de um mochilão era antigo; já há alguns anos sonhava em estar em terras distantes onde não conhecesse ninguém, onde não entenderia quase nada do que as pessoas ao meu redor falavam e onde infinitas novas oportunidades seriam encontradas, seja para conhecer novas pessoas, aprender novas coisas, visitar novos lugares ou tomar novas cervejas.

O meu roteiro dos sonhos era esse, e foi exatamente o que acabei percorrendo. O rascunho é da época, feito em um atlas que meus avós tinham me dado.

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Cursava o terceiro ano da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e então tinha que aproveitar as minhas férias de julho (com uma pequena prolongada de mais uma semana do mês de agosto).

Sabia muito bem os lugares que gostaria de visitar, mas estava perdido quanto a passagens, reservas e como funcionavam os passes de trem. Já havia visitado os EUA, a Argentina, o Paraguai, a Nova Zelândia, a Itália, a Turquia e a Holanda, mas sempre na companhia de meus pais ou conhecidos, nunca all by myself.

Fui brilhantemente ajudado pela pessoa que havia organizado minhas viagens anteriores (a maioria com meus pais), a Silvia Costa, da Interpolo Turismo de Santo André. A Silvia também mochilou durante a sua adolescência e me contou histórias fantásticas, que só me inspiraram mais a seguir nesse projeto.

Tudo certo para o embarque, que seria em uns 5 dias, quando recebo a ligação de uma tia, tão querida quanto desesperada em respeito ao meu futuro. Ela me disse algo como “Nathan, não vá sozinho para esses lugares estranhos onde você não conhece ninguém. Se você quiser, te empresto meu apartamento em Santos durante esse período para você aproveitar as tuas férias.”

Entendi a preocupação, claro. Tratava-se de uma pessoa com 50 anos a mais do que eu e que viu muitos dos países para o qual iria (alguns mais novos do que eu, inclusive) passarem por duras guerras e/ou revoluções, tais como a Croácia, a República Tcheca e a Hungria. Pensem que ela aprendeu na escola sobre a Alemanha dividida, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia!

Pensava na Europa como o paraíso dos trens e, por isso, viajei durante esses mais de 30 dias usando exclusivamente tal transporte entre as cidades. Eu fazia jus ao passe de trens mais barato naquela época, por ser menor de 21 anos. Mas tudo parecia complicado.

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Poderia fazer cinco trajetos passando por cinco países limítrofes com o chamado “Eurail Youth Travel Pass”. Tendo em vista que os números me limitavam um pouco, as primeiras passagens foram à parte. Em suma, chegaria em Berlin, via Amsterdan, depois visitaria Praga e então Bratislava e Viena. A partir de lá, usei meu passe para ir, respectivamente, a Budapest, Zagreb, Split, Ljubljana e Roma (via Villach, na Áustria).

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Olhando em retrospecto, com a experiência adquirida depois de outros mochilões, percebi que se tratou de um mochilão extremamente engessado; passe de trem comprado antes, reservas de albergues todas feitas antes de embarcar e reservas das viagens de trem todas feitas logo na primeira cidade visitada. Nunca mais fiz isso. Todavia, perdoo o Nathan de 10 anos atrás, já que não conhecia ninguém da minha idade que tivesse feito algo do tipo.

A quem puder interessar, já publiquei posts com dicas de viagens, baseadas nas minhas experiências adquiridas nesses 10 anos: Dicas de um viajante independente e Dicas de um viajante independente (II).

Chegado o dia primeiro de julho, fui acompanhado dos meus parentes mais próximos até o aeroporto de Guarulhos. Confesso que, na hora que passei pelos portões que nos separavam, pensei “Cazzo…agora tudo depende de mim, será que consigo?”, mas ao mesmo tempo veio outra ideia “Você estará livre para fazer aquilo que quiser nas próximas cinco semanas, e na Europa!!!”.

Motivado pelo segundo pensamento, embarquei com meu CD-player, e munido de uma câmera analógica (daquelas de rolo de filme), um celular que não era um smartphone e um guia do Lonely Planet Central Europe cheio de anotações num voo da KLM, via Amsterdan, para Berlim.

Tudo correu de forma fantástica e cheguei no aeroporto Schiphol animadíssimo. Todavia, foi bem lá onde, por pura empolgação, perdi o meu guia do Lonely Planet com todas as anotações feitas de lugares que queria visitar e etc.

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Pensei “Essa viagem começou mal…”. Acabei comprando outro guia igual no aeroporto e então embarquei para Berlim. Chegando lá, no então ridículo aeroporto de Tegel, onde não havia qualquer informação sobre como se chegava ao centro da cidade, decidi embarcar no mesmo ônibus no qual a maioria dos passageiros do meu voo (um dos últimos do dia) havia embarcado.

Liguei o celular, telefonei para casa e falei para a minha mãe: “Cheguei. Acho que estou em um ônibus que me levará para Berlim”. Desci no ponto final desse ônibus por volta das 22h e soube que estava de fato na capital alemã quando avistei, logo ao lado, o relógio que havia visto no filme “Adeus Lênin”.

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Bastava agora ir até o albergue. O problema é que, já ali, percebi que o transporte público de Berlin é um pouco confuso para quem visita a cidade pela primeira vez. Já era noite e um leve desespero tomou conta de mim.

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Para não cansá-los, meus caros, essa história vai continuar no próximo post, que publicarei em breve, prometo!

Arrivederci!

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6 pensamentos sobre “O primeiro mochilão a gente nunca esquece (parte I)

    • Rosa, acho que a palavra mais certa seria imprudente, a qual serviria tanto para mim quanto para a minha mãe hahahaha. E sim, foi algo interessante e inesquecível tudo isso! Fechar os olhos e me lembrar de tudo aquilo que vi e senti me traz muita felicidade e saudade!

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  1. Muito legal, Nathan. A gente lê como se fosse um livro de aventuras (que de fato é). Mas ri muito da passagem em que sua tia ofereceu o apartamento de Santos, para evitar os riscos de uma viagem longa e perigosa. Trocar todas as aventuras por um confortável e banal mês na praia!

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    • Muito obrigado pela visita e pelo comentário, Val! Você não sabe como foram os preparativos para a viagem e durante a viagem. O quanto o povo estava louco por aqui. Minha avó dizia que não dormia quando eu pegava trens noturnos! Hahahahahahaha QUem mandou criar um mochileiro? Bacione!!!

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