Uma prisão nazista em Roma: o Museo Storico della Liberazione

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“Fratelli d’Italia, l’Italia s’è desta” (versos iniciais do hino italiano, inscritos numa das solitárias da antiga prisão)

Não me lembro exatamente como cheguei à informação da existência do Museo Storico della Liberazione… talvez tenha sido numa dessas listas de atrações gratuitas que encontrei durante as pesquisas para o roteiro da minha viagem. Mas, o certo é que esse pequeno museu, praticamente desconhecido por quem visita a capital italiana, é de extrema importância histórica.

O prédio, construído nos anos 30, foi alugado por seu proprietário à Embaixada Alemã que lá instalou os escritórios das representações culturais.

A Itália já vivia sob o comando do fascista Benito Mussolini quando a Segunda Guerra Mundial teve início, em 1939. Mussolini, aliado de Hitler desde a criação do Eixo Roma-Berlim em outubro de 1936, resolveu, após hesitar por meses e mesmo ciente da fragilidade das tropas italianas, declarar guerra à França e à Grã-Bretanha.

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Discurso de Mussolini, reproduzido pelo jornal Il Telegrafo, com a declaração de guerra à França e à Grã-Bretanha em 10 de junho de 1940.

Mussolini acabou deposto e preso em julho de 1943 e o novo governo, comandado pelo Marechal Pietro Badoglio, rendeu-se aos Aliados em setembro. Imediatamente os nazistas ocuparam Roma, e libertaram Mussolini que instalou em Salò uma república fascista fantoche.

E foi durante esse período da ocupação da cidade (setembro de 1943 a junho de 1944) que o prédio de número 145 da Via Tasso, que então abrigava a sede do escritório de colaboração entre as polícias alemã (a temida SS) e italiana, passou a servir de prisão.

Estima-se que aproximadamente 2000 pessoas passaram pela “Via Tasso”, onde foram interrogadas e sofreram tortura.

Em 4 de junho de 1944, com a liberação de Roma (a Itália só seria totalmente liberada em 25 de abril de 1945), a população invadiu a prisão e libertou os prisioneiros. O edifício foi saqueado, passou a ser habitado por famílias de sem teto e também serviu de sede da Associação Nacional Partisan Italiana (a Resistência Italiana), até os quatro apartamentos que hoje abrigam o museu serem doados ao Estado.

O Museo Storico della Liberazione foi criado por lei em 14 de abril de 1957.

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A visita, gratuita, revela as marcas deixadas tanto pelos prisioneiros quanto pelos nazistas (aqueles, fizeram inúmeras inscrições nas pequenas celas e estes, levantaram paredes para fechar as janelas).

(Clique para ampliar as fotos.)

As solitárias, com largura pouco maior do que a de uma porta, têm todas as inscrições preservadas em suas paredes protegidas por placas de acrílico.

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E as celas coletivas, localizadas no segundo e no terceiro andar, contam com exposições de documentos e notícias da época.

(Clique para ampliar as fotos.)

Por ser um museu pequeno e que não consta nos guias turísticos mais tradicionais, o visitante não vai encontrar filas (talvez nem encontre outros visitantes…). Mas o local bem preservado e o acervo organizado valem a inclusão do Museo Storico della Liberazione no roteiro.

Museo Storico della Liberazione
Via Tasso, 145 – Roma
Horários de abertura: terça a domingo, das 09h30 às 12h30 e às terças, quintas e sextas, também das 15h30 às 19h30 (para mais informações, clique acima, no nome do museu)
Entrada: gratuita

O museu fica a poucos metros da estação Manzoni do metrô (linha A – vermelha)

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