Sófia, Bulgária – A capital onde é possível (mas não obrigatório) encarnar Dorothy Gale.

Caríssimos amigos viajantes e seguidores, estou de volta!

Estive ausente durante um tempo (só escrevi um post até agora em 2014), mas não foi culpa minha e lhes explico toda a confusão.

Desde o último mochilão estava planejando visitar dois dos três últimos países do Leste Europeu que ainda não conheci, a Ucrânia e a Moldávia (e também daria um pulo no sul da Polônia, tendo em vista que só havia visitado Varsóvia). Sendo assim, só me faltaria visitar Belarus, um país levemente complicado.

O que acontece é que comprei minha passagem para Kiev (via Amsterdam) e com volta de Cracóvia (via Roma) no dia 12 de dezembro de 2013. Pouco depois, a situação política na Ucrânia mudou completamente e para pior.

Ainda assim insistia nessa viagem. Todavia, os momentos de calmaria se alternavam frequentemente com momentos de maior tensão. Eu estava certo que iria para a Ucrânia até uma semana antes do meu embarque, quando percebi que não seria uma boa visitar esse país nesse momento e que, por conta de toda a instabilidade, provavelmente não poderia colocar meus pés na Moldávia também (país sobre o qual vocês ainda ouvirão falar muito, já que lá existe uma parte do país, a Transnistria, que se considera independente e é russófila) e que toda a minha viagem seria prejudicada.

Na última hora tive que mudar meus planos e, tendo pouco tempo para planejar uma nova viagem, decidi revisitar lugares que já conhecia, também para rever meus tão caros amigos. Então mudei minha passagem e cheguei em Budapest (via Amsterdam) e depois visitei a Sérvia, a Bósnia, a Croácia, a Eslovênia e terminei na Itália, de onde peguei meu voo para São Paulo.

Tudo isso ainda renderá um post sobre mudanças de planos de última hora, mas só queria explicar minha ausência durante esse tempo.

Vamos então voltar de onde parei, quando cheguei em Sofia, a bela capital da Bulgária.

Eu não tinha expectativa nenhuma (ou tinha as piores expectativas) em relação a essa última capital europeia antes da Ásia, mas posso afirmar que Sófia me surpreendeu muito positivamente. Trata-se de uma cidade muito bonita, limpa, segura e com um povo fantástico, que fala inglês e que ajuda e orienta quando for preciso.

Todavia, como gosto muito do “lado B” de tudo, a primeira coisa que queria ver era um monumento abandonado, em ruínas e pichado, o Monumento ao Estado Búlgaro.

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Construído durante o regime comunista, em 1981, para celebrar o aniversário de 1300 anos do primeiro Império Búlgaro, ele agora é mais um monumento abandonado por aqueles que querem esquecer os terríveis anos dessas ditaduras no Leste Europeu. Ele se localiza no Parque Yuzhen, o mesmo onde se encontra, mais ao fundo, o gigante NDK, o Palácio Nacional da Cultura.

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O Palácio foi construído também em 1981, mas não foi abandonado. Ele é o maior centro de convenções, exibições e congressos do Sudeste Europeu e todos os anos recebe o Festival Internacional de Cinema de Sofia.

Aqui foi filmado um dos vídeos mais assistidos do ano passado, o da tentativa de assassinato do líder do partido turco da Bulgária. Pensa num cara de sorte… (e que provavelmente teve que trocar suas roupas íntimas antes de continuar o discurso).

A leste desse parque, há outro, o Parque Tsar Boris, onde se encontra outro grande monumento, que foi construído em 1954 para celebrar a libertação da Bulgária do regime Nazista pelo Exército Soviético, ocorrida em 1944.

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A partir dali, rumo ao centro da cidade, os visitantes da bela capital têm a chance (mas não a obrigação) de incorporarem Dorothy Gale, a saltitante menina de “O Mágico de Oz”, pois os paralelepípedos dessa área são todos amarelos e lembram aqueles dourados do filme de 1939. Um dos primeiros prédios pelo qual se passa é o do Parlamento Búlgaro.

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Logo atrás do prédio se encontra a construção mais famosa de Sofia, a belíssima Catedral de Alexander Nevski. Ela era a maior igreja ortodoxa dos Balkans até 1989, quando foi construído o Templo de São Sava, em Belgrado, capital da Sérvia.

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Não se paga para entrar na Catedral, que é repleta de lustres, ícones ortodoxos e fumaça de incenso. Pena que seja proibido tirar fotos. Na cripta da Catedral ainda se pode visitar, mas não de graça, um museu repleto de ícones religiosos ortodoxos. Nada de fotos por lá também.

Saindo da Catedral há outra igreja logo à direita, a de Santa Sofia. Vermelha e sem graça, se comparada à Catedral, é a igreja que deu o nome à cidade. Na sua parede lateral se encontra o Monumento ao Soldado Desconhecido, com a respectiva chama eterna. Para quem gosta de bugigangas, do outro lado da rua há um mercado de pulgas cheio daqueles itens que supostamente são da era comunista.

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Caminhando (ou cantando e saltando) ainda pela mesma avenida de paralelepípedos amarelos, à esquerda há um pequeno parque onde se situa a Igreja Russa de São Nicolau. Na mesma área se encontra o Teatro Nacional.

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Já no final da avenida há o Palácio da Presidência, onde ocorre uma troca da guarda bem sem graça a cada hora. Se acontecer de você estar passando por lá bem na hora, dê uma olhada, mas não perca seu tempo indo até lá só para isso.

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Ao seu lado está o enorme prédio de estilo soviético que funcionava como sede do partido comunista búlgaro. Ampliando a foto, pode-se ver onde ficava o onipresente símbolo da foice e do martelo. Já onde agora tremula uma bandeira do país, se encontrava uma grande estrela vermelha, que hoje está no Museu de Arte Socialista, sobre o qual ainda falarei.

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Terminando esse tour a pé por Sófia, e sempre seguindo reto, visita-se a Catedral de Santa Nedelya. Essa igreja do século X foi atacada, em 16 de abril de 1925, por comunistas que tentaram assassinar o Rei Boris III. Ele sobreviveu, mas cerca de 150 pessoas não tiveram a mesma sorte.

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Por fim, ainda na mesma área, estão a Mesquita Banya Bashi, construída no século XVI e as piscinas termais, que estavam ainda fechadas por conta de reformas.

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Terminado o tour a pé, resta agora pegar a linha 1 do metrô e sair na estação G.M. Dimitrov para visitar o Museu de Arte Socialista. Aberto pouco antes da minha ida para lá, ele reúne uma série de estátuas do período comunista que ninguém mais quer ver enquanto caminha pelo centro da cidade, bem como aquela grande estrela vermelha sobre a qual falei um pouco antes.

Há uma sala com exibição de filmes sobre o período comunista, uma loja de souvenirs e um café. Todavia quando estive lá, não havia nem café e nem quem pudesse me atender. Apenas cadeiras, mesas e retratos comunistas.

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Obviamente, a estátua que mais chama a atenção é aquela enorme do Lênin. No lugar onde ela se encontrava, bem no centro da cidade, hoje se vê uma grande coluna com a estátua de Santa Sofia, inaugurada no ano 2000.

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Meus caros, por hoje é só. Espero que tenham gostado do post e saibam que ainda há mais sobre esse belo país para ser escrito. No próximo post falarei sobre meu day tour para o Monastério de Rila, um lugar incrível.

Até a próxima!

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10 pensamentos sobre “Sófia, Bulgária – A capital onde é possível (mas não obrigatório) encarnar Dorothy Gale.

  1. Estarei indo a Sofia no final do ano,gostari a de saber se duas noites seria suficiente para eu conhecer a cidade?Muito grato e parabéns pelo seu post sobre Sofia,vc escreve muito bem.Tambem as dicas, preciosas.

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