A capital europeia que deixa MUITO a desejar.

Salve, meus caros viajantes!

Tudo tranquilo por aí?

Espero que tenham gostado dos meus últimos posts sobre a bela Eslovênia (lago de Bled e Ljubljana).

Como vocês já devem ter percebido, tanto eu quanto a Monika queremos sempre trazer dicas sobre lugares legais a serem visitados, mas dessa vez terei que interromper esse ciclo positivo de indicações e, pela primeira vez, contar sobre um lugar o qual não recomendo, uma capital europeia que me marcou muito, mas não positivamente.

Quando falamos da Europa, especialmente sobre capitais europeias, pensamos em destinos fantásticos, em cidades vibrantes e cheias de opção de entretenimento, culinária de primeira (exceto Londres talvez, nunca estive lá), atividades culturais e monumentos históricos, em suma, cidades fantásticas. Mas nem tudo é essa maravilha, meus caros!

Esqueçam a capital das capitais, a eterna Roma, esqueçam o berço da civilização ocidental Atenas, esqueçam a mágica Praga, a fantástica Sarajevo, a linda Viena, as imponentes Moscow, Belgrado e Bucareste, as noturnas Amsterdã e Berlin, esqueçam Nicósia, a última ainda dividida por um muro, esqueçam as culturais Zagreb e Budapest, as aconchegantes Talin, Riga, Vilnius, Sofia, Ljubljana e Skopje e também as não tão interessantes ou meio mortas Tirana, Bratislava, Varsóvia e Ancara, para citar apenas as capitais europeias que conheço.

Vocês podem até se surpreender por não ter visitado as capitais mais badaladas do velho continente, tais como Paris, Madrid e Londres, e isso se deve ao fato de considerá-las um pouco overrated e, portanto, caras demais e cheias demais de turistas. Ademais, tais cidades são mais fáceis de serem visitadas, por isso as deixei para outro momento da minha vida.

Das que ainda não visitei, mas que quero muito conhecer incluo as capitais escandinavas (excessivamente caras para mim agora), Kiev e Chişinău (que quase visitei, mas a quase guerra civil na Ucrânia me impediu de percorrer o roteiro que havia programado) e Minsk (um pouco complicado pela ditadura que reina na Bielorrússia).

Hoje é dia de relatar a minha experiência na capital que considero a pior de todas as capitais (e cidades) europeias já visitadas, Podgorica, em Montenegro.

O que me levou a visitar essa cidade que o próprio guia do Lonely Planet descreveu como a capital que jamais será a mais interessante da Europa? O que me levou até lá foi a vontade de conhecer todas as ex-Repúblicas Iugoslavas e saber se a cidade principal de um dos mais novos países do mundo (Montenegro declarou-se independente da Sérvia e Montenegro, através de um referendo, em 2006, pouco mais de cinco anos antes da minha visita) era assim tão chata. Ademais, a bandeira do país e seu hino, são demais!
Algo de bom encontraria por lá!

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Eu a visitei no outono de 2011, durante um mochilão pelos Bálcãs. Cheguei a Podgorica via Sarajevo, de ônibus, depois de uma viagem longa, mas linda! Os cenários são impressionantes e os rios e montanhas que delimitam a fronteira entre esses países são de arrepiar! Estava muito esperançoso quanto a minha chegada em Podgorica.

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Quando finalmente cheguei lá, vi uma cidade mal iluminada a qual não inspirava segurança e lá estava eu apenas na companhia da minha sofrida mas companheira mala. Havia checado diversas vezes no mapa para onde deveria ir, mas tudo parecia diferente e, quando me vi em um beco escuro, pedi informações sobre a localização do albergue onde ficaria. O albergue ficava justamente nesse beco escuro.

Ao chegar, faziam-se presentes, na área comum, apenas dois hóspedes japoneses, os quais comiam seus “macarrões” instantâneos. Queria fazer o check-in, deixar minhas coisas lá e encontrar um lugar para jantar. Mais de uma hora se passou e nada, até que chegaram alguns mochileiros que ligaram para o dono do albergue e então ele apareceu. Meu celular não pegava e muito menos o wi-fi, através do qual queria avisar aos meus pais que tinha chegado bem no país. Graças a uma amiga e ex-aluna eles souberam que eu estava bem (grazie mille, Samantha)!!! No meio tempo, os mochileiros me deram alguma coisa para comer e trocamos ideia.

O dono do albergue apareceu e finalmente soube que ficaria hospedado no quarto dos japoneses do “macarrão” instantâneo. Sabendo que era tarde para encontrar um restaurante, fui tomar banho para tentar dormir. Entretanto, o banheiro era uma coisa indescritível. Frascos e mais frascos de shampoos, condicionadores e etc. deixados por viajantes se encontravam ao redor da banheira cujo fundo estava já negro de tanta sujeira acumulada.

Depois do banho fui dormir. Ou melhor, tentar dormir. Os japoneses do meu quarto haviam ligado o aquecedor no máximo (cerca de 30 graus) e, como se não bastasse, eles acreditavam ser divertido fazer todo o tipo de barulho (se é que vocês me entendem) que um ser humano pode fazer (e alguns que sequer conhecia). Não sei como dormi lá. Na verdade, não sei como não vomitei nessa noite.

Esse era o único albergue que existia na cidade, por isso hospedei-me lá. O nome dele é Hostel Montenegro. O pior é que visitei o site deles recentemente e me parece que o albergue melhorou…mas sei lá…pode ser falsa propaganda.

No dia seguinte, acordei e fui explorar a cidade. Visitei o Museu Nacional Montenegrino, o qual retrata, basicamente, da história da Sérvia, país do qual eles não deveriam ter se separado. No caminho, passei pelo Parlamento montenegrino, situado em uma praça abandonada onde nem a fonte funciona, e pela “Torre do relógio”, que é, desculpem-me, uma grande merda alta cercada por gente pedindo dinheiro.

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Há, no centro da cidade, um belo parque e lá cheguei atravessando uma ponte que poderia ser usada em uma daquelas provas do Faustão, de tanto que balançava. Ah, foi por lá também que comi uma pizza e tomei uma cerveja em um “restaurante”. Quando dei uma nota de 20 euros (moeda que eles adotaram quando ficaram independentes, já que era mais fácil adotar uma que já existia do que criar uma nova) para pagar a conta, dificultei o troco para a semana inteira.

Ninguém respeita sinalização de trânsito na cidade e me parece que o povo vive em um estado de letargia constante. As piadas mais frequentes sobre os montenegrinos são sobre o fato de eles estarem sempre dormindo ou não fazendo nada. Pelo estado de conservação dos prédios e ruas da capital, não consegui discordar.

Uma piada que ouvi de um amigo de outra ex-República Iugoslava, sobre os montenegrinos, foi essa:

Um homem que estava no mar estava quase se afogando e então um grupo de montenegrinos chega na praia e vê a cena. Um deles fala “Olha, aquele homem está se afogando”. O outro responde “Sim, com certeza”. O primeiro diz “E nós aqui em pé, olhando” e o outro responde “Então porque não nos sentamos?”

Voltei ao albergue disposto a mudar para um dos únicos hotéis da cidade, o qual ficava ao lado da estação de trem, e o fiz. O preço, obviamente, era mais alto no hotel e quando dei à recepcionista uma nota de 200 euros, ela me perguntou “Onde vocês conseguem isso??”. Depois de trocar a nota nos correios, consegui pagar pela minha hospedagem e, no dia seguinte, fui ao litoral montenegrino, que é o que realmente vale a pena no país. Sobre o litoral, escreverei no próximo post.

No meu último dia em Podgorica, “visitei” a Catedral Ortodoxa (que é longe pra car@lho e está em construção desde 1993), o Budha Bar, igual a qualquer outro ao redor do mundo e um shopping praticamente abandonado, onde pude usar um tablet pela primeira vez, enquanto tomava um café. Ah, também atravessei a gloriosa ponte que eles haviam construido recentemente!

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Esperei, até as 22h, pelo meu trem rumo a Belgrado, na Sérvia e, como não tinha mais o que fazer nessa cidade, sentei-me no saguão do hotel vazio e troquei ideia com a recepcionista, que falava italiano, enquanto assistíamos a um desenho animado sobre formigas, transmitido pela televisão croata.

Foi quando pude fazer a pergunta que mais queria fazer a um montenegrino: “Como foi saber, depois do referendo de separação da Sérvia, que apenas um pouco mais de 55% da população queria que Montenegro fosse um país independente?” Ela me disse que, ao clima de festa, seguiu-se uma ressaca, já que quase metade da população não queria fazer parte desse novo país. Era a resposta que esperava.

Peguei o trem, com alguns russos bêbados, mas muito simpáticos, e acordei, na manhã seguinte, na belíssima Belgrado. Quando lá cheguei, perguntei ao dono do albergue onde me hospedei: “Como pode uma capital ser tão feia e mal cuidada como Podgorica?” E ele me respondeu: “Their capital, my friend, is Beograd!”

E para não dizer que não falei de flores, pelo menos a cerveja deles (Nikšićko, mais conhecida como Nik) é boa e barata, mas não é produzida em Podgorica, mas em Nikšić.

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Deixo-os com um vídeo sobre o turismo no país. Visitá-lo ou não cabe a vocês!

Hvala e até a próxima!

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5 pensamentos sobre “A capital europeia que deixa MUITO a desejar.

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  4. Parabéns, Nathan. Pelas fotos, e pela menção favorável à cerveja, se vê que você ainda conseguiu destacar o que há de melhor por lá.

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