Stolpersteine (Pedras do Tropeço): Curve-se às vítimas!

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Stolperstein localizada na Pariser Platz, 7, em Berlim).

Não sei se já declarei aqui, mas sou completamente apaixonada por Berlim desde minha primeira visita à cidade em outubro de 2011. Tanto que tratei de organizar um roteiro que viabilizasse passar por lá novamente em agosto do ano passado.

No intervalo entre essas duas visitas, “tropecei” num ótimo blog que passei a acompanhar, o Simplesmente Berlim, escrito pela Isabel Miranda, uma brasileira que mora em Berlim há mais de década. E o post mais recente era sobre essas tais “Pedras do Tropeço” (leia o artigo AQUI).

Stolpersteine é um projeto idealizado em 1993 pelo artista berlinense Günter Demnig para resgatar a memória das vítimas do Nacional Socialismo (= nazismo). A “pedra do tropeço” é uma plaquinha de bronze de aproximadamente 10cm² instalada na calçada em frente ao último endereço de cada vítima. Em cada plaquinha, está inscrito basicamente, conforme o idioma local, “aqui viveu”, o nome da vítima, data de nascimento, data de deportação, local e data de morte. A primeira pedra foi instalada em Berlim em 1997 e o projeto resgata a memória não apenas dos judeus, vítimas mais evidentes do nazismo, mas também as etnias Sinti e Roma, os perseguidos políticos e religiosos, os homossexuais, deficientes físicos e mentais, trabalhadores forçados e desertores.

Fiquei bem interessada em ver as plaquinhas e anotei vários endereços em Berlim e Salzburg. É só clicar nos links para descobrir no mapa onde estão instaladas as plaquinhas.

Encontrei outras tantas em Viena, em Praga… (clique nas fotos para abrir a galeria)

Mas as que mais me impressionaram foram as 19 “pedras” instaladas em sequência na entrada do prédio principal da Universidade Humboldt, na Unter den Linden 6, em Berlim.

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E as que eu mais ansiava ver eram as da família Frank. A Aline, minha amiga que mora em Aachen e parceira do A Li na Alemanha me contou que encontrou lá as pedrinhas da Anne Frank, de sua irmã Margot e de sua mãe Edith e que me levaria para vê-las.

Edith Holländer nasceu em Aachen e lá se casou com Otto Frank em 1925. Foram viver em Frankfurt-am-Main e, com a ascensão do nazismo e perseguição aos judeus, decidiram imigrar para a Holanda em 1933. Mas antes fizeram uma parada em Aachen, cidade que faz fronteira com a Holanda.

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Prédio onde moraram Anne, Margot e Edith Frank em Aachen (Pastorplatz 1)

Em vários lugares durante essa viagem eu me peguei andando e rastreando as calçadas para encontrar as pedrinhas… E quando encontrava alguma (ou algumas reunidas), parava pra lê-las e fotografá-las. E pensava: o que teriam feito essas pessoas de tão mal para merecerem um fim tão cruel? (aliás, essa é uma pergunta que cabe em tantos casos mais recentes e que nunca terá uma resposta lógica…)

Esse gesto de parar em frente a uma Stolperstein e curvar-se para vê-la é a reverência à vítima, uma das intenções do artista que continua a devolver os nomes a quem morreu como um número.

Há mais de 20.000 pedras espalhadas por diversos países da Europa (não sei se a lista é confiável, já que a Wikipedia é aberta a edições, mas clique AQUI para saber os países e cidades onde já existem Stolpersteine). É possível localizar algumas pedrinhas também pelo site Traces of War (pesquise por país, utilizando os filtros de interesse).

O projeto é contínuo… durante 2014, muitas serão instaladas (veja AQUI a programação).

E já que o Nathan está em período de coleta de dados para os próximos posts, volto aqui semana que vem com mais histórias de algum lugar do mundo…

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4 pensamentos sobre “Stolpersteine (Pedras do Tropeço): Curve-se às vítimas!

  1. Olá Monika, adorei seu blog e o post sobre o projeto das pedras, fiquei muito curiosa em conhecer! Que bom que você veio visitar o Museu do Holocausto! Um grande abraço e ficamos em contato! Denise – Museu do Holocausto de Curitiba

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    • Oi Denise! Quem bom que gostou do blog e do artigo sobre as Stolpersteine. Eu gostei muito do Museu do Holocausto e das histórias que você contou durante a visita. Logo devo escrever meu artigo sobre Curitiba e com toda certeza vou recomendar o Museu. Grande abraço!

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  2. Monika, esse projeto é realmente interessante e importante. Andei achando mais algumas pedras aqui em Aachen, sempre paro, leio e minha imaginacao voa um pouco. Obrigada por citar meu blog 😉
    Bjooo

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    • Aline, é um projeto incrível… e achei bacana alguns sites com informações mais detalhadas das vítimas. O da República Tcheca tem até fotos… Eu já anotei alguns endereços de pedrinhas para ver na próxima viagem (quem sabe vocês descem um tantinho no mapa e nos encontramos 😉 )
      Beijos!

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