Da Romênia à Bulgária em um carro sérvio dirigido por um estoniano.

Caríssimos seguidores, amigos e viajantes, depois de um necessário recesso, estou de volta ao blog!

Espero que tenham passado muito bem o período de festas e que os que viajaram, tenham trazido muitas histórias na bagagem!

Retomo minhas narrativas e dicas de viagens de onde parei no ano passado. Depois de termos “viajado” juntos por Chipre, Grécia, Albânia (alguns dos países visitados no meu mochilão de 2012-2013) e Romênia (um dos visitados no mochilão de 2011), chegou a hora de irmos à Bulgária!

A Bulgária foi o último país pelo qual passei no meu mochilão de 2011, no qual visitei seis países dos meus amados Bálcãs, em um período de 30 dias. Confesso que a Bulgária era um país sobre o qual pouco sabia e do qual tinha um certo receio inexplicável, mas a curiosidade era ainda maior, especialmente depois de ler algumas coisas sobre o país e seus habitantes.

Por exemplo, diz-se que uma piada local é “Nós fomos irmãos menores do Império Otomano, por 500 anos, e ele foi derrotado. Depois, fomos aliados dos nazistas e dos soviéticos e eles foram derrotados. OTAN, Estados Unidos e União Europeia: cuidado!”

Outra coisa curiosa era sobre o dia-a-dia dos búlgaros. O guia que comprei dizia “O café da manhã para a maioria dos búlgaros é um espresso, e cigarros (no plural mesmo)”. Pouco depois estava escrito que “Por lei, todos os restaurantes devem possuir áreas de não fumantes, o que normalmente é uma única mesa cercada por mesas de fumantes”.

Querem mais uma particularidade? O gesto que os búlgaros fazem com a cabeça para dizer “não” é o que nós usamos para dizer “sim” e vice-versa. Deve ser bem interessante (e confuso) quando uma pessoa vai para lá sem saber disso…

Minha jornada para chegar à capital búlgara, Sófia, começou na capital romena, Bucareste. Eu já havia comprado a minha passagem de trem para Sófia, mas não estava tão empolgado assim com a viagem, já que o trem noturno que pegaria seria, na verdade, um trem cujo trajeto se inicia em Moscou e, portanto, as camas já estavam todas reservadas. Não me agradava tanto a ideia de passar uma noite sentado sem poder dormir direito.

Para a minha sorte, encontrei no albergue onde me hospedei em Bucareste um estoniano gente finíssima que iria para Sófia no carro que ele havia alugado. Acabei aceitando a carona que me foi oferecida, embora fosse perder um dia em Bucareste. Foi a decisão mais acertada nesse mochilão, já que um argentino que também estava nesse albergue em Bucareste – e que pegou o mesmo trem que eu pegaria – me disse, quando nos encontramos em Sófia, que a viagem foi extremamente cansativa e que ele passou a noite sentado em um banco de madeira tentando dormir.

Parti então às 10 horas com o estoniano rumo a Sófia. Ele me deu o GPS dele e um mapa e enquanto ele pilotava, eu o conduzia. Éramos um estoniano e um ítalo-brasileiro em um carro sérvio tentando sair da Romênia para chegar na Bulgária. Tenho certeza que essa é uma combinação única.

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Depois de sairmos do centro de Bucareste nos deparamos com a periferia da cidade e é impressionante a quantidade de acampamentos ciganos que a circundam. No caminho até Giorgiu, cidade romena por onde sairíamos do país para atravessar o Danúbio e entrar na Bulgária, pela cidade de Ruse, fomos conversando muito, contando piadas e falando sobre minha experiência na Estônia e sobre um cantor estoniano da qual gosto muito, Tanel Padar (ele me disse que era o primeiro não estoniano que ele conhecia que sabia da existência desse cantor). Também paramos para comprar coisas para comer durante a viagem.

Quando finalmente chegamos na cidade fronteiriça, não entendemos muito bem para onde tínhamos que ir. A fronteira parecia na verdade um grande estacionamento e o movimento era pequeno. Até que avistei uma placa, que indicava (ou melhor, que já indicou alguma vez) o caminho para a Bulgária.

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Algumas multas pagas pelo estoniano depois e mais de uma hora de espera para resolver esses problemas que ele teve, finalmente atravessamos a ponte que une os dois países, passando sobre o Danúbio.

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No caminho decidimos não ir direto para Sófia, para podermos visitar uma cidade, Veliko Tarnovo. A pequena cidade, que já foi capital do país, começou a se formar, com os primeiros assentamentos, em 3.000 a.C. Na verdade, os búlgaros se gabam tanto de terem sido uns dos primeiros a habitar a região que se diz até que eles chegaram lá antes dos humanos. Hehehehehehehe

Não ficamos muito tempo na cidade, apenas o suficiente para conhecer os lugares mais interessantes como a Fortaleza Tsarevets e a Catedral (e para tomar uma multas por ter parado em lugar proibido).

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Mais algumas horas de viagem e finalmente chegamos em Sófia levemente cansados, mas ainda com disposição para, depois de fazer o check-in no albergue, tomar umas cervejas antes de dormir. O albergue onde nos hospedamos, por sinal, vale a pena ser mencionado. É o Hostel Mostel, onde o preço da estadia é super barato, o café da manhã está incluso e no jantar eles oferecem macarrão e uma caneca generosa de cerveja. O que mais eu poderia querer?!

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Meus caros, por hoje é só. No próximo post continuarei minha jornada falando sobre minhas experiências na belíssima e surpreendente capital búlgara.

Antes de ir, deixo uma dica “cultural” da Bulgária. Lá um estilo musical muito característico (mas não necessariamente bom) é a chalga e um dos representantes desse estilo de música é um cantor BEM controverso chamado Azis (assitam o vídeo e vocês entenderão…ou não).

Até onde sei ele é o tipo de cantor que ninguém diz que gosta, mas é o artista búlgaro que mais vendeu CDs até hoje. Dá pra ver que o cara não é um mero desconhecido pelo número de acessos ao seu vídeo. De qualquer forma, assisti-lo é por conta e risco de vocês, meus queridos! Hehehehehehe

Espero que tenham gostado, desculpem-me pelos eventuais pesadelos provocados pelo vídeo e até a próxima!

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6 pensamentos sobre “Da Romênia à Bulgária em um carro sérvio dirigido por um estoniano.

  1. Adoro ler blogs de viagem! Histórias incríveis!!! E a vontade de ir tbm!!! Eu vou em maio 2017 pro Leste, começando por Montenegro passando em Dubrovnik seguindo pra Bosnia, Servia, Romenia, Bulgaria e Macedonia (se der tempo). Vou ficar devendo Albania e Kosovo, mas infelizmente não vai dar tempo! Adorei suas postagens!!! Tem me ajudado muito nas minhas dúvidas e inseguranças. Um grande abraço!

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    • Shirley, muito obrigado pela visita e pelo comentário.

      Meu objetivo por aqui é justamente aquele de desmistificar o Leste Europeu e os Bálcãs. Tenho certeza que a tua viagem será inesquecível.

      Teu roteiro está ótimo!

      Grande abraço e boa viagem!

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  2. Nathan! Pesquisando sobre viagens de carro encontrei o seu relato! rs
    Pretendo fazer o mesmo percurso de Bucareste a Sofia de carro e fiquei encucada com uma coisa… que tantas multas esse estoniano teve que pagar? Muita fiscalização? O que você achou da estrada? E da viagem em si, muito cansativa? Já tem um tempinho mas espero que você ainda tenha alguma lembrança. Obrigada e um grande abraço!

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    • Salve, Juliana!

      Ele pagou multas porque estava simplesmente correndo ao querer visitar tantos lugares, sem ater-se a alguns fatos práticos.

      Embora não tenha dirigido mas apenas orientado o estoniano com o GPS, lembro-me da estrada como sendo muito tranquila. O pior do trajeto sempre é deixar a cidade de onde se sai e entrar naquela que é o destino final, pelas saídas da rodovia e etc. Acredito que a viagem direta dure cerca de 7h. No nosso caso durou mais pelos percalços na fronteira (ele não havia pagado uma taxa rodoviária para circular na Romênia) e pela multa de parar em lugar proibido em Veliko Tarnovo, cidade onde paramos por cerca de 1h antes de alcançarmos Sofia.

      Lembre-se de pagar as taxas rodoviárias em cada país que visitar (recordo-me que, depois da questão da taxa que ele não pagou e que nos fez esperar na fronteira por cerca de 2h, ele parou no primeiro posto de gasolina que avistou na Bulgária, para pagar a tal taxa do país no qual havíamos chegado).

      Fora isso, a viagem com ele foi muito agradável e tivemos tempo de conversar muito.

      Espero ter ajudado e que sua viagem seja um sucesso.

      Muito obrigado pela visita e pelo comentário!

      Abraços!

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