Sintra, Portugal

De todas as cidades que conheci em Portugal, a Vila de Sintra talvez seja a mais charmosa. Passar um dia na cidade é parte do roteiro de quem vai a Lisboa. A partir da capital, chega-se a Sintra facilmente com o trem urbano em 45 minutos. Em dezembro de 2013, o bilhete de ida e volta desde a Estação Oriente, custou-me meros 4 euros.

A história de Sintra é bastante antiga. Há registros de ocupação humana na região pelo menos desde o Neolítico (por volta de 8.000 a.C) e os diversos povos que passaram por lá deram diversos nomes à atual Serra de Sintra: “Cynthia”, pelos celtas, “Zintira”, “Chinra” e “Xintra”, pelos mouros, “Mons Lunae” (Monte da Lua) pelos romanos. E há referências também à palavra “Suntria”, do indo-europeu, que significaria “sol” apesar da etimologia de sol não guardar relação com Suntria.

A influência islâmica (os muçulmanos dominaram Sintra a partir do séc. VIII) tem como maior representante o Castelo dos Mouros, o primeiro ponto turístico que visitei em Sintra.

O castelo foi erguido entre os séc. VIII e IX sobre um terreno irregular e rochoso e, por isso, há grandes caminhos e lances de escadas. Haja pernas, principalmente no verão.

Sintra foi tomada dos muçulmanos por D. Afonso VI em 1093, mas somente em 1147, quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa, o castelo foi voluntariamente entregue aos cristãos. Mas ao longo os anos o castelo foi se despovoando e seu estado de abandono foi agravado pelo grande terremoto de 1755.

Foi apenas durante o reinado de D. Maria II que seu marido, D. Fernando II, adquiriu o castelo por aforamento em 1839 e mandou que fosse restaurado.

O Castelo dos Mouros foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e, com todo o conjunto de Sintra, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1995.

De quase todos os pontos da cidade o castelo pode ser visto (foto acima, vista a partir da entrada da Quinta da Regaleira) e, a partir dele, tem-se ótima vista do Palácio da Pena (como na foto de abertura deste post) e do Palácio Nacional de Sintra (foto abaixo), que fica no centro histórico da vila.

Nas duas vezes em que estive em Sintra, não tive tempo suficiente para visitar o Palácio Nacional. Não gosto de fazer visitas “na correria” e acabei optando, da primeira vez, pelo Castelo dos Mouros e Palácio da Pena, além do Cabo da Roca. E, da segunda vez, uma nova visita ao Palácio da Pena e Quinta da Regaleira.

O mais lógico após visitar o Castelo dos Mouros e dirigir-se ao Palácio da Pena (para chegar aos dois monumentos, tome o ônibus nº 434 na parada próxima ao Posto de Turismo; o preço único em 2013 era de 5 euros e inclui ida e volta até o Palácio da Pena; então, não perca seu bilhete que precisará ser mostrado ao motorista.)

Ao chegar ao Palácio da Pena, já adquira o bilhete para o transfer até a entrada do palácio (custava 2 euros, ida e volta). É possível subir a pé, mas a trilha é bastante íngreme.

O Palácio da Pena é o primeiro palácio europeu representante do estilo arquitetônico romântico (foi construído 30 anos antes do Castelo de Neushwanstein, na Alemanha).

Suas origens, todavia, remontam a uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Pena, construída durante o reinado de João II. Doada no séc. XVI à Ordem de São Jerônimo por D. Manuel I, a capela passou a integrar um mosteiro construído no topo da serra. No séc. XVIII um raio atingiu o mosteiro, destruindo parte da torre, da capela e da sacristia. E o terremoto de 1755 praticamente destruiu o convento.

As ruínas do convento foram adquiridas por D. Fernando II, juntamente com o Castelo dos Mouros que encomendou as obras de restauro ao mineralogista alemão e arquiteto amador Barão von Eschwege para ali fazer sua residência de verão. Durante a construção, o projeto recebeu também contribuições do próprio D. Fernando II. Assim surgiram elementos de inspiração medieval e árabe. É de D. Fernando II o projeto do Pórtico do Tritão.


Detalhe do Pórtico do Tritão, referência ao Convento de Cristo, em Tomar.

A fachada principal, onde está o pórtico, é revestida de azulejos de padrão policromo (detalhe na foto abaixo).

A partir de 2013 a administração do Palácio da Pena passou a permitir que se façam fotografias (sem uso de flash) do interior do palácio:

      

É possível também visitar o Parque da Pena, uma área de 200 hectares com vários percursos e passeios.

O Palácio e o Parque da Pena foram adquiridos pelo Estado Português em 1889 e transformados em museu entre 1910 e 1912. E, em 7 de julho de 2007 foi eleito como uma das  Sete Maravilhas de Portugal.

Os bilhetes de entrada para o Castelo dos Mouros e Palácio da Pena podem ser adquiridos no Posto de Turismo.

A 10 minutos de caminhada do Posto de Turismo, chega-se à Quinta da Regaleira, um dos lugares mais místicos de Sintra.

A Quinta da Regaleira foi adquirida em 1892 por Antonio Augusto Carvalho Monteiro (um milionário carioca, filho de portugueses) que, juntamente com o arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini, criou um lugar cercado por misticismo, magia e esoterismo.

Junto com o bilhete, o visitante recebe um mapa da Quinta. A visita geralmente começa pelo Palácio, passa por algumas grutas (como a Gruta de Leda, na foto abaixo) até chegar ao incrível Poço Iniciático.

O Poço Iniciático remete aos cavaleiros templários e à maçonaria. Trata-se de uma escadaria em espiral, com 9 patamares separados por lances de 15 degraus cada um. É claramente uma referência à Divina Comédia, de Dante Alighieri. No fundo do poço, há uma rosa dos ventos sobre uma cruz templária (clique para ampliar a imagem abaixo) numa indicação à Ordem Rosa-cruz.

O poço recebeu o nome de “iniciático” porque acredita-se ter sido utilizado nos rituais de iniciação da maçonaria. A simbologia do poço está relacionada à ligação entre céu e terra, nascimento e morte. O fundo do poço representa o útero materno e também a sepultura.

Chega-se ao poço por sua disfarçada entrada superior ou pelas galerias subterrâneas. Eu sempre prefiro descer a subir escadas… então, saí por uma dessas galerias. A imagem dá uma dimensão meio assustadora à galeria, mas uma delas termina no Lago da Cascata e eu não vou estragar a surpresa da bela visão que se tem do lago visto por detrás da cascata. É preciso visitar o lugar para experimentar as sensações que o Poço Iniciático provoca.

Outro ponto bastante bonito na Quinta é o Patamar dos Deuses, onde estão dispostas 9 estátuas de deuses greco-romanos.

Sintra pode parecer uma cidade pequena, que se pode conhecer em apenas um dia, mas a região conta com inúmeros lugares interessantes. Já contei aqui no blog que na primeira vez em que estive em Sintra aproveitei para ir até o Cabo da Roca. No inverno, os dias são mais curtos e combinar os passeios talvez não seja uma boa ideia. Mas, no verão, é perfeitamente possível visitar o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira (ou o Palácio Nacional) e seguir até o Cabo da Roca. Então, se quiser conhecer mais da região, programe-me para dois dias.

Outros pontos de interesse são:
Palácio de Seteais
Palácio de Monserrate
Palácio de Queluz
Convento dos Capuchos

E, para quem viaja com pequenos, vale visitar o Museu do Brinquedo.

Finalmente, não passe por Sintra sem experimentar os travesseiros e as queijadas da Piriquita (normalmente, a loja não está assim tão visível como na foto… há sempre gente esperando em filas para entrar ou comprar as famosas queijadas).

Até breve, viajantes!

Mais sobre Portugal:
Cabo da Roca
Évora
Lisboa (Belém)

Visite também o blog parceiro Histórias e Viagens, com outras informações sobre Portugal.

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6 pensamentos sobre “Sintra, Portugal

  1. Olá Monika, estou programando uma viagem para Portugal e gostei muito de seus posts, vc poderia me passar melhores informações sobre os custos da viagem, locais para hospedagem, ou se há empresas de viagens que vendem pacotes completos. Aguardo resposta, Dede já agradeço. abraço.

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    • Oi Flávio! Obrigada pela visita ao blog e pelo comentário!

      A viagem mais completa que fiz a Portugal foi em 2012. O custo total para 16 dias foi em torno de 2500 euros (incluído aluguel de carro por 11 dias e o combustível).
      Sobre hospedagem, eu precisaria saber quais cidades você pretende visitar e qual a categoria de hospedagem. Eu geralmente me hospedo em hotéis de 2 a 3 estrelas e considero que os Ibis têm boa relação custo benefício. Se quiser, posso indicar aqueles onde fiquei.

      Certamente há agências que vendem pacotes completos e que também montam roteiro personalizado. Tudo depende do seu estilo de viajar. Eu sempre organizo minhas viagens por conta própria para não depender dos pacotes que, se incluem passeios, deixam os horários muito engessados. Entretanto, se você vai viajar sozinho e busca companhia de um grupo, pode ser uma ótima opção.

      Escreva se tiver outras dúvidas!
      Abraços! Monika

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  2. MONIKA! Blog muito lindo! Parabens! Uma coisa que vc escreveu no post me chamou a atencao: “No inverno, os dias são mais curtos e combinar os passeios talvez não seja uma boa ideia. Mas, no verão, é perfeitamente possível visitar o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira (ou o Palácio Nacional) e seguir até o Cabo da Roca. …”
    Estou indo a Portugal em dezembro, portanto inverno certo? gostaria de saber de vc se em um dia consigo visitar o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira (ou o Palácio Nacional). Pretendo ficar em lisboa e fazer um bate e volta a Sintra de um dia, vou em grupo de 7 adultos e uma crianca de 9 anos.. gostaria muito da sua opiniao! Obrigada!

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    • Olá Barbara! Muito obrigada pela visita e pelo elogio!
      Sim, é possível visitar o Castelo, o Palácio da Pena e a Quinta da Regaleira num único dia. Procure chegar cedo (o horário de abertura dos monumentos é às 09:30) e você vai conseguir aproveitar bem o dia por lá.
      Comece pelo Castelo, siga para o Palácio da Pena e termine na Quinta da Regaleira, que fica a 10 minutos a pé do centro de informações turísticas. Dependendo do horário, talvez até dê tempo de visitar o Palácio Nacional (o último horário de entrada é 18:30).
      Depois, não esqueça de voltar aqui e contar suas impressões sobre a cidade (que é linda!).
      Abraços!

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  3. Parabens pelo seu blog ,minha filha mora em Sintra ,vou a Portugal 2 vezes por ano ,adoro tudo lá ,e pelo seu blog ,estive em Sintra agora Parabens

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    • Olá, Livia!
      Muita obrigada pela visita e pelos elogios.
      Que ótimo motivo para ir sempre a Portugal e a Sintra, principalmente. 🙂
      Há outros artigos sobre Portugal no blog e ao longo deste ano devo escrever mais.
      Grande abraço!

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