Lisboa e os Descobrimentos: o bairro de Belém

Abertura

Estive em Portugal duas vezes, a primeira em agosto de 2012 e a segunda, bem recentemente, no início deste mês de dezembro.

Confesso que, da primeira vez, Portugal não me conquistou… mas acredito que eu tenha escolhido a época errada. Agosto ainda é mês de férias na Europa e Portugal é um destino bastante procurado por Europeus em busca de sol e calor… e eu não sou a maior fã de calor e de cidades lotadas de gente…

Mas, desta vez, o clima era outro, assim como o motivo da viagem: acompanhar e registrar as apresentações do Mar de Palavras, um projeto literário de contação de histórias, do qual faço parte (vale clicar e conhecer o projeto).

Então, a recepção foi diferente e a percepção da cidade e de sua gente também (devo escrever logo sobre essas impressões) . Resultado: Portugal é um país que precisa ser menos negligenciado pelos brasileiros. É uma ótima “porta de entrada” para a Europa! Lisboa é uma cidade fascinante!  E não é possível falar sobre Lisboa e o muito que ela oferece aos visitantes num único post. Optei por dividir as postagens em regiões ou bairros.

Um dos bairros que mais gosto, por diversos motivos, é o Belém, distante aproximadamente 8km do centro histórico de Lisboa. Para chegar lá, basta tomar na Praça do Comércio (quase em frente ao arco da Rua Augusta) o eléctrico 15E, com destino a Algés e descer na parada Jerónimos.

O bairro é emblemático: foi das suas praias, à beira do Tejo, que partiram as naus de Vasco da Gama em direção às Índias.

Desta segunda vez, fui num domingo, quando as entradas aos patrimônios nacionais é gratuita até as 14h. Mesmo em baixa temporada, o fluxo de visitantes é grande, mas não enfrentei filas por mais de 10 minutos.

Iniciei as visitas pelo Mosteiro dos Jerónimos.

(clique nas fotos e veja-as em tamanho original)

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Em 1496, D. Manuel I, rei de Portugal, pediu à Santa Sé autorização para a construção de um mosteiro próximo às margens do Tejo, onde se localizava a igreja Santa Maria de Belém. As obras se iniciaram em 1501 e foram finalizadas um século depois. O mosteiro é atualmente considerado o principal exemplo do estilo arquitetônico manuelino, que mistura elementos góticos e renascentistas.

O Mosteiro foi ocupado por monges da Ordem de São Jerónimo até 1833, quando a ordem foi dissolvida e o mosteiro, desocupado.

IMG_4199 detalhe superior do Portal Sul

Um dos destaques do mosteiro é o claustro com suas arcadas.

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É na ala norte do claustro inferior que se localiza o túmulo do poeta Fernando Pessoa, cuja lápide é inscrita com poemas de seus três heterônimos.

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Também se encontra no Mosteiro, na Sala do Capítulo, o túmulo de Alexandre Herculano, outro importante escritor português.

Uma das salas que me chamou atenção por suas pinturas e azulejos, foi o refeitório:

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Na parte superior, é possível visitar (quando não há missas) também o coro-alto, com vista para a Igreja Santa Maria de Belém.

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Finalizei a visita na Igreja, onde estão os túmulos de D. Manuel I e de sua esposa D. Maria, de Vasco da Gama e de Luís de Camões (fotos abaixo).

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Curiosidade: Luís Vaz de Camões morreu em 1580, durante uma epidemia de peste. Seu corpo foi sepultado, junto a diversos outros vitimados, na cripta da Igreja Santa Ana, em Lisboa. Em 1755, Lisboa foi praticamente destruída por um forte terremoto e a Igreja ruiu. As ossadas acabaram todas misturadas. Assim, não se pode afirmar que os restos mortais de Camões sejam mesmo dele.

O Mosteiro dos Jerónimos foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1983.

Torre de Belém

O domingo estava frio, mas havia sol. Aproveitei para ir caminhando até a Torre de Belém, outro monumento de estilo manuelino e cartão postal de Lisboa.

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Sua construção se iniciou em 1515, por ordem de D. Manuel I, com a finalidade de defesa do estuário do Tejo e serviu de fortaleza até 1580.

Como as técnicas de defesa evoluíram, a torre acabou por perder sua função defensiva original e teve diversos outros usos ao longo dos séculos. Após 1580, os paióis serviram de masmorras para presos políticos. A Torre também serviu de registro aduaneiro, posto de sinalização telegráfico, farol.

IMG_4269  A decoração exterior da Torre mostra influências árabes e venezianas e        
  contrasta com o interior, bem mais simples e austero.

IMG_4270   Vista a partir de uma das guaritas cilíndricas.

A Torre de Belém também foi classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1983.

Padrão dos Descobrimentos

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O monumento em forma de caravela foi erigido para as comemorações do 5º centenário da morte do Infante D. Henrique e inaugurado em 9 de agosto de 1960.

Destaca-se, com 9 metros de altura, a figura do Infante:

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As demais figuras, todas voltadas para o Tejo, representam a história ligada aos descobrimentos.

O monumento ficou meio esquecido e somente em 1985 passou por remodelações que passaram a permitir o acesso de visitantes ao auditório, sala de exposições e ao mirante, de onde se pode avistar a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos.

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E é do mirante que se tem noção da beleza do pavimento em frente à entrada do monumento: uma rosa-dos-ventos com 50 metros de diâmetro, feita de mármore de vários tipos, representando as principais rotas dos descobrimentos. Foi uma doação da República da África do Sul.

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E foi ali, ao lado do Padrão dos Descobrimentos e à beira do Tejo, que meu amigo Joel CostaMar, músico da melhor qualidade, começou a aquecer a voz (juntamente com a Penélope Martins) para a apresentação do Mar de Palavras mais ao fim da tarde. Joel tocou um fado chamado Toda a Gente, de sua autoria. Nada mais português! (Ouça AQUI a música)

Imperdível: os Pastéis de Belém

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Além do fato da fábrica ter sido fundada em 1837, pouco há para se comentar. É preciso provar os pastéis (Isso mesmo! No plural! Porque é absolutamente impossível contentar-se com apenas um!), que chegam quentes à mesa. Polvilhe canela, açúcar e esqueça a dieta!

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Na verdade, a origem dos pastéis, de acordo com informações no site da fábrica, deu-se com o fechamento do Mosteiro dos Jerónimos em 1834. Alguém do Mosteiro passou a vender esses pastéis, que rapidamente passaram a ser chamados “Pastéis de Belém”. A receita secreta, vinda do Mosteiro, ainda é a mesma, conhecida somente dos pasteleiros da “Oficina dos Segredos”.

É possível ver os pastéis saindo do forno:

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Estes são os originais “pastéis de belém”. Todos os outros são pastéis de nata (também muito bons, mas sem o charme da Antiga Confeitaria de Belém).

Também vale visitar: Museu Nacional dos Coches

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Criado em 1905 por iniciativa da rainha D. Amelia de Orleans e Bragança, reúne uma bela coleção de carruagens. Vale a visita. (Atualização: em maio de 2015 foi inaugurado o novo Museu dos Coches, na Avenida da Índia, 136, bem próximo ao prédio antigo – chamado Picadeiro Real – que também permanecerá aberto, com acervo reduzido)

Em resumo, foi isso que vi na região de Belém. É o básico. Há outros lugares a serem visitados, mas tudo depende do interesse de cada um.

Quer uma outra opinião? Veja o que o Bruno, parceiro do História e Viagens já escreveu. Clique no link: Lisboa – Belém joia lisboeta

Mais informações, endereços, horários, preços etc:

Mosteiro dos Jerónimos
Torre de Belém
Padrão dos Descobrimentos
Pastéis de Belém
Museu Nacional dos Coches

O que já escrevi sobre Portugal: Évora e Cabo da Roca

Até a próxima!

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3 pensamentos sobre “Lisboa e os Descobrimentos: o bairro de Belém

  1. Pingback: Sintra, Portugal | Viaje por Dois

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