Romênia – Bucareste – A Capital de Ceaușescu

Ce faci, meus caros viajantes??

É chegada a hora de continuar o relato da minha passagem por Bucareste, em setembro de 2011.

Assim como fiz nos posts sobre Atenas, dividirei a capital romena por estações de metrô e/ou praças significativas, para poder contar também a História desse país, desde os terríveis anos do Ceaușescu, passando pela revolução que o derrubou até a ascensão da Romênia à União Europeia, ocorrida em 1° de janeiro de 2007.

Assim que cheguei a Bucareste, deixei minha mala no albergue, peguei o metrô mais próximo, Piața Romană, e segui por duas estações da linha azul até Piaţa Unirii.

Quem sai da estação de Piaţa Unirii logo se depara com um belo bulevar, o Bulevardul Unirii. Ele foi construído pelo Ceaușescu, depois de visitar Beijing e Pyongyang, e seu objetivo era o de construir uma Champs-Élysées romena.

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Ele foi exitoso em dois pontos: superou o bulevar francês em seis metros de comprimento e ainda conseguiu construir prédios altos o suficiente para ocultar as igrejas que se situavam na região. Parabéns, Ceaușescu! Graças a você, não encontrei a Catedral Patriarcal!

No centro desse bulevar encontram-se fontes muito bonitas, mas o que chama mesmo a atenção é um prédio lá ao fundo.

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A cada passo dado, esse prédio se mostra cada vez maior e mais imponente.

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Até que, por fim, você chega perto dele e então tem noção de todo o seu tamanho.

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Quando o Ceaușescu começou a construí-lo, em 1983, seu nome seria Casa Poporului, ou seja, Palácio do Povo. Depois que o ditador foi deposto e executado, ele passou a se chamar Palatul Parlamentului (Palácio do Parlamento).

O prédio tem 1.100 salas, distribuídas em 340,000 m² de pavimento e seu volume é de 2,55 milhões de metros cúbicos. É o maior prédio civil de uso administrativo do mundo e existe um tour guiado lá dentro!

Ele atualmente abriga as duas casas do Legislativo romeno, além de inúmeras salas para a recepção de líderes estrangeiros. Em 2008, o palácio foi sede do encontro da OTAN.

A entrada é pela lateral direita do prédio e tive a sorte de chegar no horário do tour mais longo, de pouco mais de uma hora, que inclui o terraço e o porão do edifício. Para participar do tour é necessário levar o passaporte ou cédula de identidade europeia e, quando fui, pagava-se por volta de € 10 nesse tour mais completo.

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O Palácio é tão grande que, mesmo no tour mais longo, visita-se apenas 10% dele, segundo a guia. O tamanho das salas, cortinas, corredores, lustres, mesas e etc. realmente impressionam.

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Uma das salas mais legais é a que dá para o balcão principal do Palácio. De lá o Ceaușescu sonhava em discursar para as massas e enaltecer seus feitos. Todavia, ele foi executado antes de o Palácio estar concluído e a primeira pessoa a fazer um discurso de lá foi…Michael Jackson! (Tenho certeza de que, por essa, vocês não esperavam).

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Sim, meus caros. Em 1992, o já falecido cantor estava fazendo um tour e apresentou-se na bela capital Bucareste. Imaginem que legal o maior astro pop da época visitar sua cidade apenas três anos depois da morte do seu ditador? O único problema é que, ao chegar ao balcão, ele gritou “I LOVE YOU, BUDAPEST!!!” (Há várias versões para essa história).

Aos que não são tão familiarizados com a Geografia do Leste Europeu, ele confundiu a capital romena, Bucareste, com a capital húngara, Budapeste. O problema é que, além da distância de mais de 800km entre ambas, os países não são muito amigos, devido a reivindicações territoriais, especialmente húngaras.

Tudo bem que ele não foi o único a cometer esse erro, mas foi o primeiro, ou ao menos um dos primeiros. Ozzy Osbourne, Metallica, Lenny Kravitz, Whitesnake, Iron Maiden, entre outros, seguiram o exemplo. Um caso notório mais recente foi o de um grupo de 400 torcedores do Athletic Bilbao que foram a Budapeste para acompanhar seu time jogar a final Liga Europeia. O jogo, na verdade, era Bucareste.

Para tentar resolver tudo isso, uma campanha publicitária foi lançada.

Conhecendo ambas capitais, só tenho a dizer que elas não têm absolutamente nada em comum e que uma instrução básica em Geografia resolveria todas essas confusões.

Do balcão chegamos ao terraço do Palácio, de onde se pode ver todo o Bulevardul Unirii e de onde se pode constatar que o Ceaușescu se esforçou mesmo em ocultar as igrejas da região construindo prédios altos.

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Depois do terraço eu achei que o tour havia terminado, mas estava errado. De lá, seguimos de elevador até o subterrâneo do Palácio. Se não me engano, existem oito pisos subterrâneos e nós visitamos o mais emblemáticos deles.

Nesse piso, cortado por muitas tubulações, podem-se ver símbolos comunistas nas paredes dividindo espaço com a contagem de dias que os operários já haviam passado lá para construir, como escravos, o Palácio do infame ditador.

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Mais de 20 mil homens trabalharam em sua construção, 24 horas por dia e sete dias por semana. Para financiar esse projeto monstruoso, Ceaușescu endividou ainda mais seu país e, ironicamente, nem teve a chance de ver o Palácio pronto, pois foi devida e merecidamente executado antes, em uma revolução que ocorreu em 1989.

Todavia, sobre a revolução que depôs o Ceaușescu escreverei no próximo post!

Espero que tenham gostado do post e vos deixo com uma recomendação de filme!

O filme se chama Amintiri din epoca de aur ou, em português, Contos da Era Dourada. É um filme que compila seis contos dos últimos 15 anos de governo do Ceaușescu, com ironia e tristeza. O conto sobre a visita da comitiva oficial em uma cidadezinha é imperdível!

Espero que tenham gostado e aguardem a continuação desse relato!

Mulţumesc pela visita e até o próximo post!

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11 pensamentos sobre “Romênia – Bucareste – A Capital de Ceaușescu

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  4. Falou sobre a Romênia, já me conquistou. Quando estivemos em Bucareste, foi tão corrido que só tivemos tempo de ver o Palácio do Parlamento por fora. Nosso objetivo mesmo era o interior do país. Fico super feliz quando vejo que não fui o único maluco a visitar esse lindo país. Abração e vida longa ao blog.

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    • Gleiber, Bucareste me surpreendeu positivamente! Infelizmente também não tive tempo de conhecer o interior do país, cujas cidades são bem mais características do que a capital, como Sighişoara e Brașov. Na próxima vez passarei por lá, certamente. Fico muito feliz que tenha gostado, muito obrigado pela visita e pelo comentário e volte sempre, pois como sou maluco, falarei de outros destinos não convencionais pelos quais você já teve ter passado!

      Grande abraço!

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