Como viajo – Dicas de um viajante independente (II)

Caros viajantes, como meu post sobre dicas de viagem ficou um pouco extenso, resolvi dividi-lo e aqui começa a segunda parte.

6° passo: Como ir de um lugar para outro?

Na Europa o clichê é falar de trem, mas muita calma nessa hora! Na Europa Ocidental tudo bem. Trens são fáceis de pegar, são muitos e para muitos destinos, tanto nacionais quanto internacionais.

Todavia, se você for se aventurar para lá de Viena, ou seja, mais para o Leste, não conte com trens. Em alguns países, os trens internacionais simplesmente não existem (Albânia), deixaram de existir (Grécia, desde o começo da crise), ou tem número muito limitado (Bósnia). Por isso não confie sempre nos trens e veja o ônibus como uma alternativa que, muitas vezes, é mais rápida, mais confortável, mais segura e mais econômica!

Ademais, não é necessário comprar todas as passagens antes de ir para lá! Quase ninguém faz isso porque realmente não precisa. Se você for viajar na alta temporada, compre sua passagem com pelo menos um dia de antecedência, pois aí sim o movimento é grande e você corre o risco de não chegar onde quer e quando quer. Se for durante a baixa temporada, relaxa! Chegando poucas horas antes da partida, o lugar estará praticamente garantido.

No primeiro mochilão que fiz, era inexperiente e muito preocupado e era alta temporada na Europa. Por isso reservei todas as viagens de trem logo na primeira cidade que visitei, Berlin. Foi confuso e demorado, mas consegui reservar nove viagens de trem, passando por dez países. Nunca mais faço isso.

Não comprar todas as passagens, inclusive, te deixa mais livre para ir embora de uma cidade da qual você não gostou e até mesmo de visitar outra pelo caminho. Se você quer uma viagem relaxada e com a sua cara, porque transformá-la em um tour com toda a correria característica?

Onde encontrar as informações sobre trens e ônibus disponíveis? É fácil, basta jogar no teu buscador de preferência uma frase como “from Bucharest to Sofia by train” ou “from Belgrade to Osijek by bus” e garanto que muitas páginas aparecerão.

Se você estiver com mais tempo ou se você tiver muito tempo mesmo, porque não pegar carona? Em muitos lugares onde já estive é uma prática comum e até eu que sou meio neurótico com segurança, como todo bom paulista, já lancei mão dela! Basta saber se é de praxe no país que se visita. Se o for, escreva seu destino num papelão e bora para a estrada com o dedo indicador em riste! Tenho amigos que só viajam assim!

Ainda sobre carona, cumpre acrescentar que, recentemente, entrei em contato com um viajante que faz seus trajetos dessa forma e, com toda a experiência acumulada, reúne informações completas e claras sobre a prática no seu blog e, especificamente sobre como viajar pedindo carona, neste link.

Alugar carro? Nunca o faria. Primeiro porque não sei dirigir e segundo porque em muitas cidades onde estive, é simplesmente impossível estacioná-los e o trânsito é caótico (sem contar que se você mudar de um país para outro, deve estar atento às taxas a pagar e etc.). Até hoje só tive uma única experiência de ser barrado em fronteira, e foi justamente quando peguei carona com um estoniano para ir de Bucareste a Sofia. Ele teve que pagar multa e nossa viagem atrasou em mais de duas horas.

Além disso, no ônibus ou no trem pode-se socializar. Indo de Praga a Viena, acabei participando de um jogo de cartas do qual nunca havia ouvido falar com dois irmãos finlandeses e mais um componente da cabine (os quais também não conhecia) e foi uma das viagens mais divertidas que já fiz. Em outro mochilão, em um trem de Banja Luka a Sarajevo, dividi uma cabine com outras cinco pessoas. No final das contas um bósnio estava ajudando uma criança que jogava em seu tablet enquanto e eu contava a minha viagem para a mãe dessa criança.

Foi em uma dessas viagens de trem que também conheci um combatente da guerra da Bósnia (que me contou histórias incríveis durante nossa inusitada viagem de Zagreb a Sarajevo) e minhas amigas croatas, as quais fiz questão de reencontrar depois (essa viagem, a próposito, vai ganhar um post exclusivo em breve, de tão inusitada).

Por tais motivos, recomendo: saia da sua bolha também na hora de se locomover!

7º passo: Onde dormir?

Acredito que essa seja minha parte preferida quando organizo uma viagem.

Sendo mochileiro, consultar o Hostel World é indispensável. Lá se encontra uma lista de albergues (e campings, apartamentos e até mesmo hotéis) disponíveis na cidade a ser visitada e é possível ver a classificação destes por preço e por avaliação geral dos hóspedes.

A avaliação geral é a parte mais legal. Cada hóspede deixa uma nota nos quesitos segurança, limpeza, localização, diversão e etc. Com base nelas pode-se escolher o que mais se adequa à suas necessidades.

Estão disponíveis, na sua maioria, quartos mistos, mas também alguns só para mulheres ou só para homens. A vantagem desse tipo de hospedagem é conhecer gente do mundo inteiro e ter amigos dos lugares mais inusitados que compartilharam experiências de viagem com você.

Eu devo ter conhecido gente de mais de 100 países hospedando-me em albergues e esse intercâmbio cultural é o tipo de coisa que não está incluso no preço e que, ainda que estivesse, seria difícil de mensurar. Nunca me esquecerei de quando estava em Sofia, na Bulgária, e chegou um casal de refugiados afegãos no albergue. Nem o pessoal da recepção sabia como encontrar as informações necessárias em seus passaportes.

Se for ficar em hotel, o número de sites é enorme e nem gastarei linhas aqui falando sobre isso.

Outra opção é o “Couchsurfing”, ou seja, ficar hospedado na casa de uma pessoa! Já fiz isso algumas vezes e as experiências fora incríveis. Não se paga e pode-se vivenciar a rotina dos locais, tendo um contato mais direto com a realidade de onde se visita. Basta fazer um cadastro no site (que não deixa de ser uma rede social para viajantes) e começar a procurar gente para te receber ou gente para ser recebida na sua casa, se assim quiser.

Não espere café da manhã na cama, mas desfrute de muita cordialidade e muito enriquecimento cultural!

Ah, e se você não quiser dormir na casa de alguém, mas topa um bar, um restaurante ou um tour pela cidade pode encontrar gente para sair com você!

Os couchsurfers também promovem eventos e meetings para que locais e viajantes se conheçam, então vale muito a pena!

Aconselho levar algum tipo de presente do seu país. É um gesto muito simpático que será apreciado! Não escolha essa opção se você não for uma pessoa minimamente aberta a novas experiências, a aventuras e a imprevistos.

Aliás, se você não estiver aberto a novas experiências, a aventuras e a imprevistos, não viaje!

8° passo: Vamos concluir?

Prepare-se bem aqui para aproveitar o máximo quando estiver viajando.

Não faça roteiros engessados, pois, uma vez lá, você terá contato com pessoas que te dirão o que vale a pena ou não visitar, conhecer e desfrutar. Fazendo roteiros engessados você nunca será um viajante, mas apenas um turista que segue os demais turistas, só que por conta própria e, até mesmo, gastando mais.

Tendo gostado de uma cidade, porque não ficar mais? Tendo detestado outra, porque não ir embora antes?

São as suas férias! Aproveite a liberdade! Respire o ar de onde se está e, mais importante, conheça pessoas! Uma viagem não se traduz em quilômetros percorridos, mas em experiências vividas e pessoas conhecidas!

Até a próxima!

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13 pensamentos sobre “Como viajo – Dicas de um viajante independente (II)

  1. Pingback: O primeiro mochilão a gente nunca esquece (parte I) | Viaje por Dois

  2. Pingback: Retrospectiva 2013 | Viaje por Dois

  3. Sua disposição para conhecer pessoas e lugares bem diferentes é admirável. Achei ótimas suas recomendações, mas adorei “Se não estiver aberto a aventuras e imprevistos, não viaje”. Parabéns

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  4. bah loco véio, bom d+ o grande problema das tuas dias, ( ou de algumas delas ) se o cara não falar inglês…….. mas bom d+ teus relatos, vou procurar outros pra aprender, gracias

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    • Muito obrigado pela visita e pelo comentário, Fernando! De fato, o inglês ajuda demais, embora já tenha visitado lugares onde tive que usar o mínimo que sabia de outras línguas, como na Rússia e em partes da Bósnia. Continue nos acompanhando! Abraço!

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  5. Pingback: Como viajo – Dicas de um viajante independente | Viaje por Dois

  6. Você teria dicas de como me locomover num mochilão na América Central? Além de dicas do que levar numa mochila, para uma viagem de 30 dias? Obrigada.

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    • Olá, Marina! Infelizmente ainda não visitei a América Central, mas recomendaria que você desse uma consultada no http://wikitravel.org/en/Central_America, na parte “get around” e no Guia Lonely Planet da região http://shop.lonelyplanet.com/central-america/central-america-on-a-shoestring-8/. Embora eles falem também individualmente de cada país, tem-se uma ideia de como é o transporte na região como um todo também. Espero ter ajudado. Muito obrigado pela visita e pelo comentário!

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    • Esqueci de falar sobre o que levar na mochila, desculpe! Primeiro veja se terá à disposição máquinas de lavar e calcule que vá lavar suas roupas a cada 5 dias, mais ou menos (depende muito do roteiro e do calor também). Celular smartphone é ótimo e elimina a necessidade e a inconveniência de carregar notebook. Duas bermudas ou shorts e uma calça já são suficientes. Um par de tênis cômodos para quando for caminhar mais e talvez duas sandálias, uma para praia e outra mais arrumada para ir a um bar ou balada. Não se esqueça dos remédios, óculos de sol, protetor auricular e máscara para dormir melhor em albergue. Lanterna, repelente, protetor solar, guarda-chuvas e todos os documentos e seguros, claro. Se for ficar na casa de alguém, uma lembrancinha do Brasil é bem-vinda e alguns albergues até dão desconto se você levar um souvenir do seu país. Precisaria de mais coisas se você fosse acampar, por exemplo. Então, dependendo de como você quer viajar e onde quer se hospedar, a lista pode ficar um pouco maior.

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