Como viajo – Dicas de um viajante independente

Caros seguidores, antes de continuar descrevendo minhas aventuras e, tendo em vista que minha colega de blog publicou um post sobre como organizar uma viagem, cumpre-me também dar dicas de como organizar uma viagem. Não se surpreendam com a quase total discrepância entre os textos.

Esclareço que essas dicas se baseiam em experiências e opiniões próprias e também em relatos e conselhos de amigos viajantes muito mais experientes. Elas são fruto das minhas viagens e mochilões e, por esse motivo, talvez seja mais útil a quem busca organizar esse tipo de viagem independente, usando transporte público, hospedando-se em albergues, conhecendo pessoas e gastando menos.

1º passo: O que te agrada?

Eu sou completamente apaixonado pelo Leste Europeu e então minha missão é a de visitar todos os países dessa região e de conhecê-los bem. Quando falo em Leste Europeu, considero todos os países que ficaram para o lado de lá da Cortina de Ferro. Destes, já visitei todos a não ser a Bielorrússia, a Ucrânia e a Moldávia.

O que me leva a querer conhecer esses países? Quero saber como foi a transição entre comunismo e capitalismo e também como a população desses países reagiu a tais mudanças. Pelo que pude constatar até hoje, essa transição não foi nem um pouco fácil.

Cumpre salientar que, além de ser um viajante, sou pós-graduado em Estudos Diplomáticos. As viagens me servem não só como experiência de vida, mas também como material investigativo, para depois poder escrever sobre elas com mais propriedade. Durante minhas viagens, todas as teses são colocadas à prova e muitas simplesmente caem por terra, enquanto outras se confirmam.

Esse é o meu interesse, não precisa ser o seu. Muitos querem apenas conhecer terras longínquas, sem nenhuma motivação especial. Outros tantos querem viajar para dar um sentido à própria vida, e acabam buscando lugares mais espiritualizados. Outros só querem descobrir a rota das melhores cervejas. Há também quem viaja apenas para seguir a banda que mais ama.

Em suma, não importa o motivo, o mais importante é a viagem.

2° passo: Onde encontrar informações?

Às vezes existe o sonho de visitar um lugar, mas não se sabe ao certo como fazê-lo.

Em primeiro lugar eu recomendo uma visita à página Wikitravel. As informações mais básicas sobre o país ou a região que se quer visitar estarão lá: principais cidades e pontos turísticos, voltagem, etiqueta, comidas e bebidas típicas, etc.

Fundamental também dar uma conferida no Lonely Planet. Essa página é feita por viajantes independentes para viajantes independentes. As melhores e mais práticas informações estarão lá.

Além de publicarem guias sobre a cidade, a região ou o país que você quer visitar, nessa página você pode comprar guias em PDF ou encomendá-los. Ademais, existe uma parte para que os viajantes postem perguntas e respostas sobre os lugares que querem visitar. É um site perfeito para a troca de experiências entre viajantes.

Finalmente, vale a pena dar uma olhada no Trip Advisor. Nesse site, porém, os meus amigos viajantes devem estar atentos! Existe ali uma interferência muito grande dos turistas, que avaliam hotéis, restaurantes e tours com uma visão bem mais elitizada. A falta de um simples travesseiro no quarto transforma-se em uma batalha jurídica! Se você tem o espírito de viajante, como eu, não se atenha tanto às reclamações dos meros turistas que passam mais tempo no quarto do que fora deles!

Visitando esses sites, ter-se-á a informação necessária sobre o lugar que se quer visitar, por quanto tempo vale a pena visitá-los, como chegar e como sair.

3° passo: Como montar um roteiro?

Primeiramente saiba por quantos dias você poderá viajar. Com base nessa informação, e já tendo escolhido as cidades que te interessam, calcule ao menos duas noites em cada cidade. Ficar uma só noite em uma cidade, por menor que ela seja, parece-me loucura.

Pense que você chegará num dia e a deixará no dia seguinte. Lembre-se que você terá que ir da estação (ou aeroporto) até o albergue (ou hotel) e depois fazer o caminho inverso. Você dormirá por algumas horas e, eventualmente, comprará o bilhete para a próxima jornada e poderá enfrentar filas. Sobra pouco tempo para realmente apreciar a cidade em que se está. Se você é um dos que só quer “fincar bandeira” na cidade, tudo bem. Se você quer conhecê-la, vale a pena ficar pelo menos mais uma noite, isso se a cidade for pequena.

Para cidades maiores e com muitas atrações, reserve pelo menos três noites. Eu normalmente reservo no mínimo quatro para cidades como Praga, Berlin, Zagreb, Belgrado, Sarajevo, Moscou e Budapeste. Cinco noites para as muito especiais, como Roma, Athenas e Istambul.

Trago um exemplo de roteiro. Esse foi meu mochilão de outubro/novembro 2011: http://goo.gl/maps/Fklde

4º passo: E a burocracia?

Em primeiro lugar, tenha um passaporte que seja válido por, no mínimo, seis meses, contados a partir da sua chegada ao país a ser visitado. O país não requer passaporte, apenas o RG? Eu prefiro levá-lo assim mesmo. (Atenção! A União Europeia agora requer que o passaporte seja válido por, no mínimo, três meses a partir da saída de qualquer um dos países da área Schengen!)

Não sabe se você precisa de visto? Verifique sempre o site do Ministério das Relações Exteriores do país que quer visitar. Informação mais precisa do que essa você não encontrará. Tudo pode ser feito por você mesmo, a menos que não tenha domínio do inglês, em alguns casos. Se não quiser lidar com papelada, vá a uma agência turística e eles cuidarão disso para você!

É preciso tomar algum tipo de vacina? No site do Ministério você saberá ou então a agência de turismo dirá.

Seguro viagem é indispensável! Recomendo falar com uma agência de viagens sobre sua cobertura temporal e territorial.

Levar alimentos in natura é completamente desaconselhável.

5° passo: O que levar?

Nunca se esqueça das passagens, documentos, dinheiro, remédios indispensáveis, cartões de crédito ou travel cards e reservas.

É fundamental levar tapa-ouvidos, máscara para dormir (para evitar claridade), o guia da região que for visitar (não para ser sempre carregado, mas para consultá-lo quando necessário. Recomendo os guia do Lonely Planet, que são feitos para viajantes. Os guias da Folha acho muito superficiais) e lanterna. Nunca se esqueçam da lanterna! Ela me salvou na Albânia, onde acontecem blackouts frequentes e em todos os quartos de albergue, quando chegava e todos já estavam dormindo.

Uns três cadeados, sabonete e shampoo são fundamentais para quem vai ficar em albergue. Toalha não é necessária, mesmo ficando em albergue, pois é possível alugá-las.

Celular (ou tablet) é indispensável devido a todas as suas funções, inclusive como GPS (só não esqueçam o carregador). Notebook é bobagem levar, por ser mais peso na mala e mais coisa para se preocupar.
Adoro tirar fotos, mas só levo uma máquina fotográfica que caiba no meu bolso. Andar com lente de 30 centímetros, tripé e etc. é trabalho extra na certa!

No que diz respeito a roupas, eu levo sempre camisetas e roupas íntimas para uma semana (ou seja, sete de cada), depois as lavo. Só levo uma calça além da que vou usando. Se fizer frio, leve uma blusa leve, uma média e uma pesada. Se fizer calor, leve duas bermudas.

Por hoje é só! Ainda tenho mais dicas, mas que continuarão no próximo post, para que esse não fique tão grande! Espero que as dicas tenham sido úteis e aguardem as que ainda virão!

A segunda parte das dicas vocês encontram aqui!

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9 pensamentos sobre “Como viajo – Dicas de um viajante independente

    • Muito obrigado pela visita e pelo comentário, Juliana!

      Eu fiz o curso no CEDIN (Centro de Estudos de Direito Internacional), em Belo Horzionte. As aulas eram ministradas na sede das Faculdades Milton Campos.

      Gostei muito e recomendo!

      Até mais!

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  5. Sobre seguros de viagem: às vezes não prestamos atenção, mas alguns cartões de crédito disponibilizam o seguro-viagem se a compra do bilhete aéreo foi feita com o cartão. Vale a pena consultar os benefícios.

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