Waterloo

Butte du Lion

Certamente você já ouviu o dito popular: “na posição em que Napoleão perdeu a guerra”.

Eu não sei em que posição, mas a guerra foi perdida no confronto militar conhecido como Batalha de Waterloo.

Antes de contar como cheguei até lá, vale relembrar  o contexto histórico. Calma! Não vou recontar toda a história aqui… afinal, este é um blog sobre viagens (mas garanto que quem sabe um pouco de história, viaja melhor).

Napoleão I, nascido na Córsega, foi imperador da França entre 18 de maio de 1804 e 6 de abril de 1814 e a hegemonia francesa sobre grande parte da Europa entre fins do século XVIII e início do século XIX se deve ao baixinho.

Mas o início do fim para Napoleão começou a ser desenhado em 1812 quando, em junho, ele decidiu invadir a Rússia (que era aliada da Grã-Bretanha, inimiga da França), na maior operação militar das chamadas Guerras Napoleônicas.

Os russos não tinham capacidade de vencer o exército de Napoleão em campo aberto e então adotaram a estratégia de “terra arrasada”: recuavam e destruíam os campos, impedindo que as tropas de Napoleão tivessem o que pilhar. Quando os franceses invadiram Moscou, em setembro de 1812, encontraram a cidade em chamas. Os russos não se renderam e Napoleão decidiu retornar com seu exército à Polônia. Mas o caminho de volta, devastado, quase dizimou a tropa. Em dezembro do mesmo ano, apenas 22 mil soldados conseguiram chegar à Polônia.

Em agosto de 1813, Napoleão atacou os exércitos aliados na Prússia. Mas Áustria e Suécia vieram integrar a coalizão que iniciou em outubro a Batalha das Nações e dominou Paris em março de 1814. Napoleão abdicou em 6 de abril de 1814 e foi exilado na ilha de Elba, na costa italiana. Mas ainda não era o fim!

O Congresso de Viena obrigou a França a devolver os territórios que conquistou desde a Revolução Francesa, gerando insatisfação da população. Napoleão, aproveitando-se do fato, retornou a Paris em março de 1815 e, apoiado pelo povo e pelo exército, restaurou o Império.

Os países participantes do Congresso de Viena declararam guerra à França e Napoleão decidiu reconquistar os Países Baixos. Mas, em 18 de junho de 1815, o exército da Prússia e as tropas inglesas lideradas pelo Duque de Wellington derrotaram Napoleão na famosa Batalha de Waterloo.

Napoleão retorna à França e, sem apoio, abdica novamente em 22 de junho de 1815. Os aliados o exilaram na ilha de Santa Helena, onde ele morreu em maio de 1821.

Mas, afinal, onde fica Waterloo?

A cidade fica na Bélgica, a poucos quilômetros de Bruxelas. Na época da batalha, a atual Bélgica fazia parte do Reino Unido dos Países Baixos.

Minha passagem por Waterloo foi totalmente não programada. Em 2010 viajei com meus irmãos e meu cunhado para França, Luxemburgo e Bélgica. Só na saída de Luxemburgo para Bruxelas, passando os olhos pelo mapa, vi que Waterloo estava no caminho. Mas eu não fazia ideia do que tinha pra ver na cidade.

De repente, na estrada, uma placa:

Acho que dei um grito: “Meu! O Quartel General do Napo!” Claro que não deu tempo de ler que ali hoje é um museu. Mas, voltamos… e fomos visitar o museu, que é bem pequeno, mas muito interessante, principalmente para quem cometeu o desatino de, como eu, estudar Direito: lá está um dos exemplares do Código de Napoleão.

Museu Provincial (Último Quartel General)
Foto: Google Maps

Exemplar do Código de Napoleão

Também está representado o local onde Napoleão passou a noite do dia 17 para o dia 18 de junho de 1815.

     DSC08335

Também há uma área externa, com alguns monumentos:

Ossuário construído em 1912. Guarda os ossos dos soldados, encontrados em escavações feitas no campo de batalha. Acima da porta há a inscrição: “Pro Imperator Saepe, Pro Patria Semper”.

Uns quilômetros mais adiante, fica o campo de batalha propriamente dito, onde está o Butte du Lion (Monte do Leão), do alto do qual se pode ver todo o campo.

Como a passagem por Waterloo foi meio “no susto”, não deu pra visitar os outros museus ali perto. Mas, quem se interessar, no site oficial da Maison du Tourisme de Waterloo tem mais informações, inclusive em português.

Quem pretende passar uns dias em Bruxelas e se interessa por assuntos de guerra, vale programar ao menos uma tarde para ir a Waterloo que, de tão importante, até virou música na voz do Abba!

Até a próxima semana, com histórias de um lugar onde estive no mês passado.

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4 pensamentos sobre “Waterloo

  1. Olá. Gostei muito do blog. Por favor, como faço para visitar Waterloo?
    Achei complicado ir de trem, mas gostaria de ir com excursão.
    Se você conhecer alguém que leve até lá, poderia me ajudar?
    Obrigado

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    • Oi Leandro,

      Obrigada pela visita e pelo comentário.
      Infelizmente não conheço agências que promovam um day trip até Waterloo. Se você tiver base em Bruxelas, é bem possível que o hotel (ou hostel) tenha contatos sobre passeios pela região.
      Como minha passagem por Waterloo foi meio por acaso e estava de carro, acabei não pesquisando sobre os meios de transporte pra chegar lá mas li que não é tão complicado ir de trem (inter-regional), saindo de Bruxelas-Gare du Midi. A viagem não leva mais do que meia hora.
      Espero que dê tudo certo!

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  2. Adorei o post! Já fui para a Bélgica N vezes e nunca passei por Waterloo. Que falha!!! Na próxima não me escapa! Obrigada pela dica!
    Quando tiver um tempinho, passe para me visitar no Ideiasnamala.com.
    Abraços,
    Mari Vidigal

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    • Oi Marina!
      Eu nem tinha me programado pra passar por Waterloo… foi mesmo por acaso.
      E, como eu gosto bastante de assuntos ligados a guerras, adorei ter conhecido o lugar onde Napoleão perdeu a guerra…rs
      Vou visitar seu blog!
      Abraços!
      Monika

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