Albânia – Tirana

Caros amigos exploradores de países inusitados, espero que tenham curtido o último post, relatando minhas primeiras impressões sobre a levemente confusa capital da Albânia, Tirana.

É chegada a hora de falar um pouco mais sobre o que se pode visitar de interessante na capital. Como já havia dito, a cidade tem um grande ponto positivo: tudo está localizado no centro e basta caminhar para explorar bem a cidade. Até porque, se fosse depender de transporte público, ninguém sairia do lugar.

Um ótimo ponto de partida é a praça em homenagem ao grande herói albanês do século XV, Gjergj Kastrioti, mais conhecido como Skënderbeu. Hoje essa praça tem uma estátua dele em seu cavalo, mas anteriormente se encontrava lá uma estátua de 10 metros do “querido” ditador Hoxha, a qual foi violentamente destruída em 1991. Por que será? Segundo o guia que uso (Lonely Planet), a essa altura, o herói já está surdo por conta das buzinas de tantos carros que passam pelas avenidas de quatro pistas que a circundam. Atravessá-las para chegar à praça é uma aventura cheia de adrenalina … e buzinadas!

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Do lado esquerdo da praça se localizam a Torre do Relógio (na qual se pode subir em tese, já que, na prática, nunca estava aberta) e a mesquita de Et’hem Bey, com seu característico minarete. Por essa região passa uma rua batizada com o nome do inteligentíssimo ex-presidente dos EUA, George W. Bush. A homenagem deve ser explicada: ele deu apoio total à “independência” do Kosovo em relação à Sérvia (país inimigo dos EUA e aliado da Rússia) e os kosovares não são outra coisa senão albaneses. Até hoje a maioria dos países não reconhece a declaração unilateral de independência do Kosovo e isso vai se arrastar ainda por anos e anos…

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Ainda do mesmo lado da praça pode-se visitar um centro cultural que, até onde entendi, é mantido pela embaixada italiana e por entes culturais italianos. No mesmo prédio encontram-se uma livraria muito boa, a embaixada italiana, um teatro e um café com vista para toda a praça.

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Já do lado direito da praça está o Museu de História Nacional. Por conta das festas pátrias a visita foi de graça, mas quase nada estava aberto ao público, a não ser uma exposição temporária no térreo e a famosa espada que Skënderbeu teria usado em batalhas, no primeiro andar (a espada é tão grande que não dá para saber como ele andava a cavalo, combatia e carregava aquele trambolho ao mesmo tempo, mas okay).

O legal mesmo e o que eu mais queria ver é o mural na fachada desse museu. Seu nome é simplesmente Albânia e lá estão retratadas as batalhas nas quais o povo albanês combateu, desde quando eles eram habitantes da região do Império Romano chamada Ilíria até os dias atuais.

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Depois de visitar os arredores da praça, vale à pena seguir pelo Boulevard Dëshmorët e Kombit em direção ao sul. Indo pela sua esquerda se encontra a Galeria Nacional de Arte. Interessante que atrás dela foram abandonadas algumas antigas estátuas do período comunista.

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Continuando, depois de atravessar um pequeno rio, se vê a horrível pirâmide construída pela filha do ditador, sobre a qual falei no post anterior. Perto dela está a igreja católica que homenageia a Madre Teresa, que era etnicamente albanesa, mas nascida em Skopje, capital da Macedônia. Nessa mesma região ainda se localiza uma pequena ponte histórica, construída no período Otomano, e a pequena Fortaleza de Justiniano.

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Mais à frente está o Congresso e, no final do Boulevard, o prédio da Universidade, com uma estátua de, ninguém mais ninguém menos do que a Madre Teresa. Atrás dele existe uma área bem legal de convívio entre os estudantes, com restaurantes de fast-food e que conta com tudo aquilo que o orçamento de um universitário pode bancar.

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Voltando pelo mesmo Boulevard, agora pelo outro lado, está a Academia de Artes e vários prédios governamentais, inclusive o Palácio Presidencial. Quase chegando na praça há um parque cheio de esculturas e com um monumento muito bonito em homenagem às figuras mais importantes da história albanesa.

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Atrás dessa área estão os melhores bares e restaurantes da cidade, assim como uma igreja ortodoxa completamente nova. Só não sei quem a usará, já que quase todo mundo na Albânia é muçulmano e a minoria é católica.

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Falando em religião, uma coisa que me deixou curioso foi a ostensiva decoração natalina na capital. Tudo bem que visitei a cidade em meados de dezembro, mas a grande maioria da população é muçulmana. Fiquei confuso.

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Sobre os restaurantes, recomendo muito um chamado Era. Os garçons falam italiano, a comida é excelente, o atendimento impecável, a cerveja (Tirana) vem gelada e tem wi-fi. Aproveitando o wi-fi do local resolvi ligar para algumas pessoas através do Skype.

Foi no meio de uma dessas ligações que notei olhares estranhos das pessoas na minha direção. Então me lembrei que a capa que estava usando no celular era a da bandeira russa, mas que, de ponta-cabeça, é a bandeira sérvia. Sérvios e albaneses se odeiam mortalmente. Como quem não quer nada, retirei a capa do celular e garanti minha sobrevivência. Mais tarde comprei uma capa para celular com a bandeira da Albânia (que só poderia usar lá também).

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Depois de duas noites em território albanês, era hora de rumar a um novo país e nem sei como começar a escrever sobre ele. Pode até ser que saia da ordem cronológica dessa viagem e fale sobre outro país que visitei em outra ocasião. Não sei de fato como continuar.

O que sei é que ficarei por um tempo longe do blog, pois vou visitar meus amigos no Chile!

Fiquem bem, engulam o choro de saudade e até a volta!

P.S. Dica de filme! Esse não é sobre a Albânia, mas sobre albaneses que vão para a União Europeia em busca de cidadania e sobre toda a rede mafiosa por trás desse esquema. O filme é belga e chama-se O Silêncio de Lorna. Segue o trailer.

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11 pensamentos sobre “Albânia – Tirana

  1. Olá!
    Como foi citado em um comentário, parabéns pelas informações contidas nos seus posts, já que é muito difícil encontrar informações precisas sobre esse país, principalmente sobre Tirana.

    Há uma grande possibilidade que eu vá viver por um tempo nessa cidade em um intercâmbio então toda informação será muito bem vinda.

    Parabéns pelos posts 😉

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  2. Olá Nathan , muito prazer. Confesso que li e reli os 2 post sobre a albania umas mil vezes kkkk Olha você não sabe o quando me ajudou e me ajuda. Esse post é de uma importancia sem precendentes . Pois é muito triste , pois o conteudo sobre a albania aqui no brasil no nosso idioma e quase 0 , o que é muito mais muito triste. Minha tataravó era albanesa, e isso é de um orgulho muito grande pra mim. E consequentemente me desperta um interesse muito grande pelo pais , pela cultura e pelo idioma. Ai que fica complicado. E confesso que chega a ser meio desmotivador, basicamente e generalizando bastante , as informaçoes que encontramos são o Wikipedia ou do consulado da albania aqui no brasil. Sobre o idioma então mais complicado ainda. Até existe um ou outro site. Porém nada que se aprofunde muito. Então eu vejo esse seu post até mesmo como uma contribuição cultural. Isso é de uma importancia muito grande. E eu sou extremamente agradecido por você dividir conosco sua experiencia nesse pais. E mediante a isso gostaria de saber se você possui um imail de contato. Ou alguma outra forma de contato sem ser aqui pelo site. Desde já agradeço obrigado por contribuir culturalmente. Levando um pouco mais da albania e sua cultura para os brasileiros. Que são tão carentes de informação desse pais maravilhoso.

    Att: Leandro

    Falemnderit ( Obrigado )

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    • Salve, Leandro!

      Muito obrigado tanto pela visita quanto pelo comentário.

      O teu interesse pela Albânia me parece o meu interesse inicial pela Croácia, quando as informações eram escarças e até mesmo a internet era ainda meio que experimental no país e, portanto, quase nada havia sobre o tal país na internet à qual tínhamos acesso. Jamais me esquecerei de quando ouvi a primeira música croata e quando ouvi falar sobre a Croácia pela primeira vez na TV.

      O idioma, de fato, é algo muito peculiar. Em quase nada tem a ver com os demais da região. Eu mesmo, que sempre me esforço em tentar falar algumas palavras do idioma do país que visito, perdi-me na Albânia.

      Mais uma vez agradeço o teu comentário e teus elogios. Meu e-mail é nathan_malinverni@yahoo.it. Já no FB estou com o mesmo nome que aqui.

      Abraços!

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  3. Eu gostaria de conhecer um dia a Albânia, pois é um povo enigmático, um exemplo disso, é o que você observou: enfeites de natal em grande quantidade, sendo que a maioria é mulçumana. Mas também sobre sua história, pois o povo derrubou a estátua de Enver Hoxha, porém quando foi eleger o presidente, elegeu, Ramiz Alia, sucessor e camarada de Hoxha, por isso país enigmático.

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  4. Olá, Nathan!
    Estou preparando um roteiro de viagem para dezembro 2014/ janeiro 2015. Estarei na Itália e pensei em ir por mar para Albania e depois seguir pela Macedônia, Bulgária até a Turquia. Mas estou com uma dúvida imensa sobre os meios de transportes e, confesso, lendo seu post não me senti muito segura em viajar pela Albânia. Será que é viável chegar em Berat? Ou seguir da Albânia em direção a Ohrid, na Macedônia (não vi se vocês chegaram até a Macedônia). Obrigada!

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    • Salve, Roberta!

      Obrigado pela visita e espero poder ajudar. A primeira coisa é a seguinte: lembre-se que você estará indo em baixa temporada e durante o inverno, ou seja, se existirem durante esse período, as opções de ferry serão bem menores. Da Itália para a Albânia eles saem de Brindisi e Bari e chegam em Durrës e Vlora, até onde me lembro. Uma vez numa dessas cidades, acredito que, mais uma vez, por conta da baixa temporada e também da neve, as opções sejam continuar para o próximo país a partir da capital. Então você iria para Tirana e de lá pegaria um ônibus para Ohid que, pelo menos quando tentei visitar a cidade, não era direto, ele parava na fronteira e aí você pegava outro meio de transporte do lado macedônio. Por fim, da Macedônia para a Bulgária, teria que ser entre Skopje para Sófia e aí para Istanbul. Então, o mais importante é lembrar da menor quantidade de ônibus, ferries e trens diários e depois, torcer para não nevar demais, pois, por conta da neve quase fiquei dois dias sem poder sair de Tirana rumo a Skopje.

      Espero ter ajudado! Até a próxima!

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  5. Otimo blog.. estou com vontade de ir pra Albania,.. Meu passaporte é brasileiro e estava pensando de ir pra tirania e ir pra grecia de onibus\carona.. etc.. Saberia me dizer se precisa de visto? Abraçoo

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    • Fala, Arthur! Muito obrigado pela visita e pelo comentário! Não é necessário visto para brasileiros visitarem a Albânia ou a Grécia. Só é necessária paciência para fazer esse trajeto de ônibus! Abraço!

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  6. Pingback: Albânia – Tirana – Primeiras Impressões | Viaje por Dois

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