Chipre – Lefkoşa/Nicosia – O “tráfico” de fast-food e outras experiências.

Caros amigos e seguidores, estou de volta e dessa vez para concluir a viagem à bela, histórica e mitológica ilha de Chipre, para dizer o que é interessante conhecer e visitar na sua capital dividida.

Não era minha intenção fazer cinco posts sobre o Chipre, mas conforme fui relendo meu diário de viagens e revendo as fotos, lembrei-me de situações até então só vividas lá, como a experiência de ser hospedado por um local e o fato de visitar um país e uma cidade divididos por um muro.

Ademais, visitei quatro cidades desse pequeno país e gostaria que vocês conhecessem um destino infelizmente ignorado pelos turistas e viajantes brasileiros. Eu não conheço ninguém daqui que tenha ido ao Chipre. Vocês conhecem? (além de mim, claro…)

Por fim, como já disse, não pretendo fazer dos meus posts apenas um guia. Minha proposta é contar pelo que passei e minhas experiências de viagem. Guias são fáceis de encontrar e são muitos, mas relatos de viagem são únicos.

Antes de falar sobre os pontos turísticos, recomendo uma experiência turística única no mundo: “tráfico” de fast-food. A parte grega da capital possui um McDonald’s, mas a parte turca, não.

Como eu podia atravessar a “fronteira” entre os dois lados quantas vezes eu quisesse (foram 12 vezes no total e, consequentemente, obtive 12 carimbos naquela folha que mostrei no primeiro post sobre a capital), meu amigo turco, que não tem mais permissão de ir ao fast-food lado grego, pediu para que eu lhe comprasse um Mc alguma coisa, com fritas e refrigerante.

Eu confesso que fiquei tenso com esse “tráfico” e imaginei que teria os bens confiscados por turcos furiosos com o meu desrespeito à “fronteira”, mas não! Foi tudo tranquilo e a felicidade do meu amigo Zafer ao receber seu lanche foi gratificante!

20121203_193949

Quanto às atrações, começo pela parte turca da capital, Lefkoşa. O primeiro ponto é o monumento que marca o ponto central da cidade murada (lembro que a muralha engloba partes da área turca e da área grega da capital, já que foi construído pelos Venezianos séculos antes da divisão). Na mesma praça onde se encontra o monumento, vê-se uma foto imensa do Atatürk, o pai dos turcos.

DSC04069

DSC04131

Muito interessante e bonita, a Mesquita Selimiye é imponente e vale a pena a visita, assim como o Büyük Han, um caravançarai onde se encontram restaurantes e lojas com produtos locais e os típicos souvenires a um bom preço. Um museu bem interessante é o Mevlevi. Ele é dedicado aos dervixes, aqueles monges muçulmanos que entram em transe e conectam o Céu à Terra ao girar em torno do próprio eixo. Existe também um bazar que, apesar de pequeno, tem wi-fi gratuito (que salvou a minha vida).

DSC04175

DSC04309

DSC04200

DSC04097

Do lado grego da capital, Nicósia, o Museu do Chipre é uma visita obrigatória. Lá estão expostas algumas estatuetas da “mulher de Lempa”, que estampa a moeda de Euro cunhada no Chipre e que é o símbolo do país, a Afrodite de Soloi, guerreiros de terracota e a estátua de Zeus, além de outras peças que remontam ao Neolítico. Na frente do museu localiza-se um parque ideal para os que amam a natureza e gostam de estar em meio ao verde.

DSC04212

DSC04215

DSC04222

DSC04208

O Museu da Luta pela Independência, que é muito bem organizado e explica detalhadamente o esforço dos gregos cipriotas na obtenção da sua independência do Reino Unido (e a tentativa de se anexar à Grécia) é uma visita obrigatória, assim como o Palácio do Arcebispo, logo ao lado. O Palácio, que presta homenagem ao Arcebispo Macário, o primeiro presidente do Chipre independente, conta com três atrações: a Catedral de São João, o Museu Etnográfico e o Museu Bizantino.

DSC04279

DSC04240

Recomendo também o impressionante Monumento da Liberdade, situado na muralha, e que é uma representação da liberdade adquirida pelos cipriotas após anos de domínio britânico. Uma igreja ortodoxa grega com ícones antigos que deve ser visitada é a Feneromeni. Ela se localiza perto do muro que divide a capital. O muro em si também é uma atração. Existem tonéis e postos de controle da ONU por lá, já que a área entre turcos e gregos é monitorada pela ONU.

DSC04255

DSC04161

Finalizando a parte grega, recomendo uma visita à torre de observação de Sacholas. Dessa torre de observação, situada no décimo primeiro andar de um prédio comercial, pode-se ver toda a cidade de Nicósia (tanto a parte turca quanto a grega) e também se veem as enormes bandeiras turca e turco-cipriota pintadas nas montanhas, das quais havia falado no post anterior. Nessa torre existem painéis interativos, em várias línguas, que mostram e contam a história dos vários lugares dignos de nota da cidade.

DSC04140

DSC04141

Além de ter podido visitar a parte grega e a parte turca da capital do Chipre, na minha última noite, tive a sorte de visitar a “buffer zone”, a área controlada pela ONU que está exatamente no meio delas. Lá se encontra a sede de uma organização que procura estabelecer o diálogo entre gregos e turcos, visando uma futura reunificação. Estive lá acompanhado pelo meu amigo Zafer, uma georgiana e uma quirguiz.

Assistimos ao documentário “Birds of a Feather”, seguido de um debate e tudo foi incrível para mim, já que me interesso muito pelas relações internacionais e pela resolução de conflitos. Infelizmente não se podem tirar fotos lá (juro que tentei, mas o Zafer, depois da bronca que levei no mercado, estava esperto comigo e barrou minhas tentativas).

No dia seguinte, despedi-me do Zafer (com tristeza, pois já me sentia em casa), atravessei pela última vez para a parte grega, voltei à estação pela qual havia chegado e tentei pegar um ônibus para Larnaka, para ir ao aeroporto, mas não consegui, pois havia greve (esse era o prenuncio dos protestos no Chipre). Ainda assim consegui chegar ao aeroporto e pegar meu voo para o próximo país, um dos mais belos do mundo, sem dúvida.

DSC04316

Mas isso fica para o próximo post.

O que posso dizer é que o Chipre é digno de visita. Não importa a estação do ano e não importa qual é o objetivo de quem se dispõe a desbravá-lo. Existem atividades para todos e seus habitantes são incrivelmente gentis e hospitaleiros. A locomoção é fácil (menos entre a parte turca e a grega), os preços são razoáveis e as experiências são inesquecíveis.

Muito obrigado a todos que nos seguem e até a próxima parada!

Anúncios

2 pensamentos sobre “Chipre – Lefkoşa/Nicosia – O “tráfico” de fast-food e outras experiências.

  1. Fala, Natália!
    Até onde eu sei (a menos que as coisas tenham mudado) dá para atravessar de um lado para outro sem problemas. Todavia, me lembro que você tem que sair do país pelo lado por onde entrou. Então você poderia visitar a parte grega mas deveria voltar para a parte turca para sair da ilha, a menos que isso tenha mudado também.
    Espero ter ajudado e obrigado pela visita!!

    Curtir

  2. Ola Nathan, estava lendo seus posts sobre o Chipre, estou na Turquia e planejando uma viagem para lá mas chegarei atraves do aeroporto no lado Norte (turco). Acha que posso ter algum problema para atravessar a fronteira ao lado sul> Li que vc nao teve problemas no sentido contrario mas sabe dizer se na primeira vez que atravessar do lado turco ao lado grego posso ter problemas> Obrigada! Natalia

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s